Enquanto estado lidera emissões e desmatamento, governo anuncia plataforma digital sem metas ou recursos para frear destruição

DIA DO MEIO AMBIENTE: CAR Digital 2.0: Maquiagem verde para a crise ambiental em Mato Grosso

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Enquanto dados oficiais expõem que Mato Grosso é líder em emissões de gases do efeito estufa, perdeu mais de 27% de sua vegetação nativa e viu a área queimada saltar 212% em um único ano, o governador Mauro Mendes resolveu anunciar com pompa o lançamento do “CAR Digital 2.0” — uma plataforma digital para cadastros ambientais que chega como maquiagem para esconder a paralisia estrutural da gestão ambiental no estado. O anúncio, feito nesta quarta-feira (4), não resolve o problema central: em seis anos de mandato, o governo não validou nem 6% dos cadastros existentes e não apresentou um plano estadual de adaptação climática, como exige a Lei nº 14.904/2024.

A tentativa de mostrar inovação digital esconde uma verdade incômoda: a SEMA valida em média apenas dois cadastros por dia útil. Nesse ritmo, seriam necessários mais de 170 anos para regularizar todos os imóveis rurais do estado.

O novo sistema não vem acompanhado de metas, orçamento ou reforço técnico, e especialistas alertam que ele pode, na verdade, fragilizar ainda mais os critérios de análise. Trata-se de um governo que terceiriza sua obrigação institucional ao propor “memorado de entendimento” com outros órgãos para dividir a culpa da própria incompetência, como se a crise ambiental fosse um problema do Judiciário ou dos municípios.

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O lançamento do CAR Digital 2.0, portanto, é mais um capítulo do teatro político montado por Mauro Mendes para fingir que está enfrentando a emergência climática, quando na verdade apenas alimenta a insegurança jurídica, aprofunda a crise ambiental e esvazia as políticas públicas. Em vez de assumir responsabilidades e apresentar um plano concreto para conter o desmatamento, restaurar áreas degradadas e proteger as nascentes e a biodiversidade, o governo opta por discursos vazios, convites de cerimônia e aplicativos que não passam de fachada. A sociedade, o setor produtivo e os órgãos de controle precisam reagir: o futuro ambiental de Mato Grosso está sendo tratado como piada. (com informações blogdopopo)

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