Chamado por ambientalistas de

SINAL VERDE PARA O DESMATE: do Congresso para as queimadas: como o PL 2159 pode acelerar a devastação

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O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (21), por ampla maioria, o polêmico PL 2159/2021, que promove mudanças profundas no sistema de licenciamento ambiental do país. Após mais de quatro horas de debates acalorados, o texto foi aprovado com 54 votos a favor, 13 contra e 14 ausências – incluindo o apoio unânime dos três senadores mato-grossenses: Jayme Campos (União), Margareth Buzetti (PSD) e Wellington Fagundes (PL).

Chamado por ambientalistas de “PL da Devastação”, o projeto flexibiliza regras de proteção ambiental, dispensa licenciamento em diversos casos e introduz a autodeclaração por parte de empreendedores – um mecanismo criticado por especialistas, que o consideram frágil em um país com histórico de fiscalização insuficiente.

Bancada de MT alinha-se com ruralistas

A votação expôs mais uma vez o alinhamento da bancada mato-grossense com os interesses do agronegócio. “Não daria para esperar nada pior deles. Legislam sempre contra o meio ambiente, como se fosse um obstáculo. Representam apenas a si mesmos e seus financiadores”, criticou Herman Oliveira, secretário-executivo do Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad).

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Entre os pontos mais polêmicos do projeto estão:
Dispensa de licenciamento para atividades consideradas de “baixo impacto” – categoria que pode abranger até grandes empreendimentos;
Autodeclaração do empreendedor, substituindo análises técnicas em alguns casos;
Fragilização da proteção a povos tradicionais e unidades de conservação;
Redução da participação social em processos decisórios.

Votação acelerada e pressão ruralista

O projeto, que tramita há mais de 20 anos no Congresso, recebeu 45 emendas de última hora – muitas delas atendendo a demandas da chamada “bancada do boi”. Organizações socioambientais fizeram alertas sobre os riscos de aumento do desmatamento e conflitos fundiários, mas não conseguiram barrar a aprovação.

Agora, o texto retorna à Câmara dos Deputados para nova análise. Se aprovado, seguirá para sanção ou veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já enfrenta pressões opostas: de um lado, o agronegócio; de outro, movimentos ambientalistas e cientistas.

“É um retrocesso sem precedentes. O licenciamento ambiental existe justamente para evitar tragédias. Sem ele, quem paga a conta são as florestas, as comunidades tradicionais e o futuro do país”, resumiu uma pesquisadora do Instituto Socioambiental (ISA), que preferiu não se identificar.

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Enquanto isso, os estados amazônicos, incluindo Mato Grosso, podem enfrentar novas pressões sobre seus biomas caso o projeto vire lei. A pergunta que fica é: até quando o desenvolvimento econômico justificará a destruição ambiental?

(com informações Formad)

 

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