O impacto na folha de pagamento da prefeitura ultrapassa os R$ 5 milhões por ano.

Prefeitura de Cuiabá se rende à fome por cargos dos vereadores da base e transforma gestão em cabide de empregos

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A política cuiabana deu mais uma mostra de sua face mais vergonhosa nesta semana. Enquanto a vereadora Maysa Leão fazia um gesto público de recuo e pedia desculpas à secretária de Saúde, Lúcia Gouvêa, por críticas anteriores, a Câmara Municipal aprovava em regime de urgência urgentíssima mais um projeto enviado pelo prefeito Abílio Brunini — criando 50 novos cargos comissionados na estrutura da Prefeitura. Sem qualquer planejamento ou debate público, a medida parece atender a um único objetivo: satisfazer o apetite político dos vereadores da base aliada. O impacto na folha de pagamento da prefeitura ultrapassa os R$ 5 milhões por ano.

O prefeito Abílio mostra, mais uma vez, que não governa com projeto ou visão de futuro, mas com base em trocas, recuos e conchavos. Em vez de combater o inchaço da máquina pública, ele a amplia deliberadamente, distribuindo cargos como se fossem prêmios de consolação para conter ânimos exaltados no Legislativo. É uma prefeitura sem pulso, sem norte e sem coragem de dizer “não” quando o interesse público está em jogo.

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Esse loteamento escancarado de cargos representa não só um retrocesso político, mas também um ataque direto aos cofres públicos. Cada novo cargo aprovado significa mais gastos fixos e menos recursos disponíveis para áreas essenciais como saúde, educação, saneamento e assistência social — todas já fragilizadas. Em nome da “governabilidade”, Abílio entrega a gestão municipal para interesses paroquiais e trai o discurso de renovação que sustentou sua candidatura. O discurso de enxugar a máquina, reduzir gastos e combater privilégios virou poeira assim que os vereadores bateram o pé.

Ao ceder às chantagens disfarçadas de “base aliada”, Abílio confirma o que os cuiabanos já começaram a perceber: sua gestão não é feita para governar, mas para sobreviver politicamente. E, nessa sobrevivência, o maior derrotado é o cidadão, que paga a conta de um governo fraco, refém de vereadores oportunistas, e que enxerga a administração pública como um estoque de cargos — e não como um instrumento de transformação e serviço.

Popó Pinheiro
Jornalista e Gestor Publico

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