Mais de três anos após a deflagração da Operação Espelho, que investigou um suposto esquema de desvios em contratos médicos firmados com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), o caso segue sem solução. Nenhum dos 22 denunciados foi responsabilizado, e os mais de R$ 35 milhões apontados como desviados não foram recuperados. Atualmente, o processo está paralisado na 5ª Vara Federal Criminal de MT desde 30 de agosto de 2024, por decisão da desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
A suspensão ocorreu após a defesa dos médicos Osmar Gabriel Chemim e Alberto Pires de Almeidaalegar ilegalidade no trâmite processual, argumentando que decisões anteriores teriam sido assinadas por um juiz “absolutamente incompetente“. O caso, que inicialmente tramitava na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, foi transferido para a Justiça Federal em março de 2024, por envolver recursos federais.
Fraudes em UTIs e deboche durante a pandemia
A investigação, iniciada em 2021 a partir de uma denúncia anônima, revelou indícios de falsificação de plantões médicos, superfaturamento e internações desnecessárias em hospitais como o Metropolitano de Várzea Grande. A Controladoria Geral do Estado (CGE) estimou prejuízos iniciais de R$ 229 mil, mas a Polícia Civil identificou que a empresa LB Serviços Médicos recebeu mais de R$ 17 milhões do governo estadual apenas durante a pandemia de Covid-19.
Em mensagens obtidas pela investigação, um dos médicos chegou a debochar da situação: “Peguei paciente na rua andando”, escreveu, em abril de 2021, rindo com colegas sobre internações fraudulentas. A segunda fase da operação mostrou que o grupo intensificou os crimes no auge da crise sanitária, aproveitando-se da urgência nos repasses públicos.
Denúncias rejeitadas e falta de cobrança política
Apesar das evidências, parte das acusações foi barrada pela Justiça. A então secretária-adjunta de Gestão Hospitalar da SES-MT, Caroline Campos Dobes Conturbia Neves, apontada como peça-chave no esquema, teve a denúncia rejeitada duas vezes – a última em fevereiro de 2024.
Enquanto o processo permanece sem previsão de retomada, parlamentares estaduais e federais de MT não cobram celeridade do Judiciário. O caso, que exporia um dos maiores escândalos de corrupção na saúde pública do estado, segue em total impunidade, deixando pacientes e sociedade à mercê de um sistema que, além de negligente, foi vítima de criminosos.
A população, que depende de um serviço de saúde precário, aguarda justiça – enquanto milhões de reais desviados não retornam aos cofres públicos. (com informações VGN(

















