Uma mãe de um bebê de seis meses, internado na Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá desde 23 de setembro, denunciou uma série de negligências e falhas no atendimento dentro da enfermaria pediátrica do hospital. Em relato feito por escrito, ela afirma ter presenciado imprudências graves, falta de protocolos de enfermagem e condições estruturais insalubres.
Segundo a mãe, os problemas começaram após a transferência do bebê para a enfermaria, no dia 27. Ela afirma que o mesmo equipo de antibiótico foi utilizado por mais de 24 horas e até reaproveitado para outras medicações, sem troca de materiais. Em outro caso, medicamentos foram entregues diretamente a ela, para que administrasse ao filho sem acompanhamento de um profissional de saúde.
A denúncia também aponta que o cateter venoso central (PICC), instalado no bebê, não teria sido monitorado diariamente, o que contraria normas de segurança hospitalar. No dia 29, houve um episódio considerado grave: a desconexão da extensão da dupla via do cateter provocou sangramento ativo. A mãe relata que pediu ajuda, mas foi orientada a “aguardar”. Diante da demora, e por também ser profissional de saúde, ela própria interveio para reconectar o dispositivo e reprogramar a bomba de infusão — procedimento que não deveria ser realizado por acompanhantes.
Além da assistência, a estrutura da enfermaria também é alvo de críticas. A mãe descreveu cadeiras quebradas, mobílias rasgadas, divisórias improvisadas com papelão, falta de água em torneiras e chuveiros, além de higiene precária, como bacias de banho permanecendo no quarto por mais de 24 horas. Ela ainda relata escassez de insumos, como máscaras e extensões de nebulização.
“Se eu não fosse profissional da saúde, meu filho teria sido exposto a risco ainda maior. O que acontece, então, com bebês cujas mães não têm conhecimento técnico?”, questiona em seu relato.
A denunciante solicitou a apuração imediata dos responsáveis, fiscalização urgente das condições de trabalho na pediatria e providências legais para garantir a segurança dos pacientes.
Ela destacou que o atendimento inicial recebido no pronto-atendimento e por médicas da equipe foi adequado, mas criticou a conduta dos profissionais da enfermaria pediátrica. “Precisam aprender sobre empatia, compromisso ético e olhar humanizado diante de vidas tão frágeis”, afirmou.




















