Parece que a oposição na Câmara de Vereadores de Cuiabá está mais preocupada em brilhar nas manchetes do que em cumprir suas obrigações. Afinal, estamos em ano eleitoral e todos querem sair bonitos na foto. No dia 12 de março, com um entusiasmo digno de final de Copa do Mundo, foi instaurada uma comissão processante (16 votos a favor e 8 contra) para tentar cassar o mandato do Prefeito Emanuel Pinheiro (MDB). Os gritos eufóricos quase faziam crer que Cuiabá havia vencido um campeonato mundial.
No entanto, nossos estimados vereadores parecem ter esquecido um pequeno detalhe: uma CP não é um reality show, precisa seguir os trâmites legais. Hoje, 15 de maio, o juiz Márcio Aparecido Guedes, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Cuiabá, deferiu uma liminar suspendendo a CP. Em sua decisão, o magistrado apontou a falta de clareza e precisão na denúncia sobre as supostas infrações político-administrativas. E mais, Emanuel Pinheiro sequer foi intimado para a reunião da Comissão Processante que decidiu sobre a defesa prévia apresentada. “De mais a mais, a reunião teve a presença do denunciante, de modo que o acusador e os julgadores participaram da reunião, da qual o acusado nem mesmo fora intimado”, destacou Márcio Aparecido.
O juiz ainda teve que lembrar aos nobres vereadores que a criação de uma comissão processante não deve ser usada como ferramenta de perseguição política. “É necessário esclarecer que a instituição de comissão processante não deve ser usada como meio de perseguição ou luta política, uma vez que o que se encontra em jogo é o interesse público de toda sociedade cuiabana.”
Mas, como estamos em ano de eleição, os vereadores decidiram fazer em alguns meses o que não fizeram em quatro anos. Ao invés de legislar em benefício da comunidade cuiabana, preferem gastar seu tempo e energia em campanhas de difamação contra outros atores políticos. Porque, no fim das contas, aparecer bem na mídia é o que realmente importa, certo?






















