A onda de calor responsável por elevar as temperaturas em grande parte do país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, tem deixado o país em alerta. Nesta semana, uma publicação informou que a sensação térmica poderia chegar a 70° em Porto Alegre, 50°C em São Paulo e 60°C no Rio de Janeiro, o que gerou ainda mais preocupação. Mas, afinal, isso é possível?
O que é a sensação térmica e como ela é calculada?
A sensação térmica, também chamada de “índice de calor” ou “fator de resfriamento pelo vento”, reflete a temperatura percebida pelo corpo humano. Para se fazer o cálculo, leva-se em conta a temperatura em graus Celsius, a umidade do ar e a velocidade do vento.
Quanto maior a umidade relativa do ar (relação entre a quantidade de vapor de água presente no ar e o volume máximo de vapor que o ar poderia ter naquela temperatura), maior é a sensação térmica, uma vez que a umidade excessiva dificulta evaporação do suor humano. Os ventos ajudam a diminuir essa percepção de calor porque aceleram o processo natural de resfriamento do corpo.
Ou seja, a sensação térmica não reflete a temperatura real, e sim a forma como o corpo humano percebe a exposição a determinada condição climática.
É possível que o Brasil tenha sensação térmica de 70°C?
Segundo especialistas isso não é impossível de ocorrer, mas “extremamente difícil”. De acordo com Ricardo de Camargo, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), órgão de metereologia da Universidade de São Paulo (USP), não há indícios de que a sensação térmica poderá chegar a 70ºC nesta semana.
“A informação veiculada não partiu do IAG”, reitera o professor. Segundo ele, a reportagem consultou a USP e recebeu a informação de que o Núcleo de Climatologia Aplicada da Universidade de São Paulo (USP), ao qual se atribui o dado, está atualmente desativado. Veja a tabela utilizada:
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Para o metereologista Willians Bini, a projeção que repecurtiu nesta semana, com o alerta sobre a possibilidade de cidades brasileiras enfrentarem sensação térmica de 70°C, faz uma “confusão” ao interpretar os dados da tabela de Steadman.
“Ao pegarmos a condição do dia e cruzarmos a maior temperatura prevista e a umidade relativa do ar máxima, o resultado será uma sensação térmica muito alta. O problema é que essas duas variáveis metereológicas não ocorrem ao mesmo tempo”, esclarece Bini.
Na terça-feira (11/2), por exemplo, a informação da reportagem era de que a sensação térmica alcançaria 70°C em Porto Alegre, o que não aconteceu. A temperatura na cidade chegou a 39°C, com umidade relativa do ar de 36%, resultando em uma sensação térmica de pouco mais de 47°C.
O que está causando a nova onda de calor?
A onda de calor caracteriza-se por uma sequência de, no mínimo, três dias com temperaturas em uma determinada região, no mínimo, 5°C acima da média esperada para o período. Com a previsão da diminuição das chuvas na região central do Brasil, os períodos de sol prolongados vão elevar as temperaturas naturalmente, já que a chuva regula a temperatura. Além disso, como os sistemas de chuva estão se formando no Sul do Brasil, os ventos que sopram para o Centro-Oeste e o Sudeste tendem a sair do Norte e noroeste, contribuindo ainda mais para o aumento da temperatura.



















