Órgão afirma que acompanha o caso para garantir acolhimento das duas crianças, que estão com uma irmã de Yara Paulino da Silva, morta na tarde de segunda-feira (24) após o surgimento do boato de que ela havia matado filha recém-nascida. Polícia diz que membros de uma facção são os responsáveis.
Após o assassinato bárbaro de Yara Paulino da Silva, de 28 anos, no conjunto Cidade do Povo, em Rio Branco, o Ministério Público do Acre (MP-AC), que acompanha o caso, reforçou uma campanha contra a divulgação de informações e notícias falsas.
A iniciativa foi tomada após as investigações apontarem que Yara foi morta por conta de um boato que, falsamente, a acusou de ter matado a própria filha, Cristina Maria, de apenas três meses. Uma ossada chegou a ser apontada como os restos mortais da menina, mas, segundo análise do Instituto Médico Legal (IML), tratava-se de ossos humanos.
Com isso, a polícia trabalha com a linha investigativa de que a falsa informação levou à morte de Yara pelo chamado ‘”tribunal do crime”. Membros de uma facção criminosa, motivados pelo boato, determinaram a morte dela, que foi assassinada a pauladas na frente de casa. Outros dois filhos de Yara presenciaram o crime, e a recém-nascida segue desaparecida.
“É importante que todas as pessoas que recebam via WhatsApp ou qualquer outro meio de comunicação uma notícia, que elas chequem essas notícias. Se essas notícias são verdadeiras, se elas são falsas, e busque informações verídicas a respeito disso. Nós vivemos em tempos em que a rede mundial de computadores, o WhatsApp, o Instagram, ele propicia uma divulgação muito rápida das notícias. E isso tem causado essa onda de ódio, de discurso de ódio, de raiva, de enfurecimento da população”, destacou o promotor Thalles Ferreira.
Por meio de uma publicação em uma rede social, o MP também alertou para a cautela no compartilhamento de informações, especialmente na internet. “Um boato se espalhou. Quando a verdade apareceu, uma pessoa tinha sido morta”. Fake news mata”, afirma a postagem.
O promotor ressaltou ainda que possíveis linchamentos e outras agressões motivados por supostas vinganças não condizem com a democracia.
Para evitar tragédias semelhantes, afirmou, é preciso que tanto o público quanto veículos de mídia tenham cautela quanto às informações divulgadas.
“Lembrando que a gente vive em um Estado Democrático de Direito, existe um sistema de justiça, um que não se permite uma vingança privada, que as pessoas vão lá e matem uma pessoa em virtude de uma vingança privada. Então, o Ministério Público orienta para as pessoas que elas chequem as informações, se as informações são verdadeiras. Vá à internet, procure se a informação é verdadeira, procure o Ministério Público, se essa informação é verdadeira. Tem inúmeros sites de checagem se a informação é fake ou se a informação é verdadeira. Não disseminar, não divulgar essas informações, inclusive divulgar informações falsas pode ser considerado um crime, uma violação”, enfatizou.



















