Enquanto deputados da base governista em Mato Grosso receberam milhões em emendas parlamentares executadas pelo governo estadual, parlamentares da oposição enfrentam dificuldades para ter seus recursos liberados. Os dados mostram que Elizeu Nascimento (PL) lidera o ranking de emendas pagas, com os deputados Eduardo Botelho (União), Gilberto Catanni (PL), Sebastião Rezende (União), Valmir Moretto (Republicanos), Wilson Santos (PSD) e Fábio Tardin (PSB). Elizeu Nascimento (PL) é o que mais já teve emendas pagas com R$ 2.250 milhões. Depois vem Juca do Guaraná (MDB) com R$ 2.2 milhões, Dr. João (MDB) com R$ 1.124 milhão e Beto 2 a 1 (União) com R$ 1.1 milhão. Outros 3 deputados tiveram valores empenhados, porém não pagos. São eles: Max Russi (PSB), Faissal Calil (Cidadania) e Paulo Araújo (PP). Os demais tiveram emendas pagas abaixo de R$ 1 milhão liberados.
Acusações de perseguição política
A disparidade no repasse das emendas ganhou contornos de crise política na última quarta-feira (30), quando a deputada Janaina Riva (MDB) acusou o chefe da Casa Civil, Fábio Garcia (União), de perseguição. Ela afirmou que Garcia admitiu, em conversa com o senador Jayme Campos (União), que não liberaria suas emendas.
A parlamentar ainda criticou Garcia por supostamente gerenciar emendas federais mesmo estando licenciado do mandato de deputado federal. Em resposta, o chefe da Casa Civil negou boicote direto, mas admitiu publicamente que prioriza aliados do governo.
“É mentira que estou boicotando alguém especificamente. Mas, obviamente, como representante do governo, priorizo os deputados que apoiam o Palácio Paiaguás. Quem faz oposição sabe que há consequências”, declarou Garcia em suas redes sociais.
Emendas impositivas: direito constitucional x jogo político
As emendas parlamentares impositivas são garantidas pela Constituição Estadual e devem ser executadas obrigatoriamente pelo governo, independentemente de alinhamento político. No entanto, na prática, a liberação dos recursos tem sido usada como moeda de barganha, beneficiando aliados e dificultando o acesso da oposição.
Enquanto a base governista comemora a chegada de verbas para suas bases eleitorais, deputados da oposição pressionam por transparência e cumprimento da lei. O caso deve acirrar os ânimos na Assembleia Legislativa, com possíveis questionamentos jurídicos sobre a legalidade do critério político na execução orçamentária.



















