Problemas na Saúde? Culpa do Emanuel. Buraco na rua? Herança maldita. A Educação não vai bem? Reflexo do

Cuiabá “adota” calendário próprio: “Ano 2” da gestão Abílio ainda será contado como “Era Emanuel” decide vereadora Michelly

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Em um movimento que promete revolucionar a ciência política e a contabilidade criativa, a Câmara Municipal de Cuiabá – ou pelo menos uma de suas mais argutas vereadoras – acaba de estabelecer um prazo de validade oficial para a desculpa preferida da atual administração. De acordo com a eminente vereadora Michelly Alencar (União), o prefeito Abilio Brunini (PL) tem direito legal, moral e – aparentemente – cronológico, de culpar seu antecessor, Emanuel Pinheiro (PSD), por exatos dois anos.

A descoberta foi revelada em entrevista nesta quinta-feira (09) no podcast podOlhar, trazendo alívio a gestores públicos que sempre se perguntaram: “Até quando posso usar o ‘foi o anterior’?” Agora, há uma diretriz clara.

A tese do “Bode Expiatório com Data de Validade” já era um argumento carro-chefe da gestão Brunini em seus primeiros dez meses. Problemas na Saúde? Culpa do Emanuel. Buraco na rua? Herança maldita. A Educação não vai bem? Reflexo do “colapso”. A inovação da vereadora foi simplesmente colocar um calendário nessa narrativa.

“Pelo menos os dois primeiros anos em que a gente ainda esteja vivendo o reflexo desse colapso deixado pela gestão passada. Enquanto houver problemas do passado a resolver será preciso citar o ex-prefeito”, declarou Michelly, com a precisão de uma orácula dos prazos.

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A declaração oferece uma lógica consoladora. Significa que, independentemente de quais ações sejam tomadas – ou deixadas de ser tomadas – no presente, o fantasma do antecessor será o responsável oficial. É uma espécie de “passe livre” para a gestão, um período de carência onde a accountability fica em stand-by.

Corte de Insalubridade? Uma Questão de Prioridades (e de Passado)

A genialidade estratégica da vereadora fica ainda mais evidente quando contrastada com suas defesas recentes. Enquanto a prefeitura, por recomendação do Ministério Público, se prepara para cortar R$ 4,1 milhões mensais em insalubridades de servidores – um valor que, não custa lembrar, representa apenas 20% do déficit mensal de R$ 20 milhões da Saúde – a mesma vereadora achou tempo para defender publicamente a distribuição de remédios para emagrecer.

A mensagem subliminar é poderosa: dinheiro extra para quem arrisca a saúde no serviço público? Impensável. Mas comprar “pílulas mágicas” em meio a um colapso financeiro? Isso sim pode ser uma prioridade que, quem sabe, não seja culpa da gestão anterior.

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A ironia, é claro, é gratuita. Enquanto a população espera por soluções concretas para problemas concretos, a principal discussão parece girar em torno de até quando a culpa do outro é uma moeda de troca válida. A vereadora Michelly, ao que tudo indica, já deu a resposta: ainda temos mais de um ano de “Emanuel-bode” pela frente. A gestão Brunini agradece a previsibilidade. O contribuinte, talvez, não tanto.

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