Em Mato Grosso, berço do apelido que passou a identificar o grupo, empresas e integrantes associados a eles foram alvo de apuração por suspeitas de irregularidades em contratos públicos na área da saúde.

“Cuiabanos” chegam a Goiás: grupo investigado em três estados agora atua na saúde pública sob nova sigla

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Depois de deixar rastro de denúncias em Mato Grosso, Acre e Roraima, o grupo conhecido como “cuiabanos” — formado por médicos e empresas que atuam na área de ortopedia dentro de hospitais públicos — chegou a Goiás. Na saúde estadual comandada pelo governador Daniel Vilela, os mesmos nomes reaparecem sob uma nova razão social, mas mantendo os protagonistas que já figuraram em investigações por suposto uso irregular de contratos milionários, cirurgias e fornecimento de próteses.

Quem são os “cuiabanos”

Entre as principais lideranças do grupo estão os médicos Alberto Pires de Almeida, Osmar Gabriel Chemin e Gabriel Naves Torres Borges, todos ligados à MedTrauma Serviços Médicos Especializados. Em Mato Grosso, berço do apelido que passou a identificar o grupo, empresas e integrantes associados a eles foram alvo de apuração por suspeitas de irregularidades em contratos públicos na área da saúde.

Fantástico expôs denúncias em 2024

A repercussão nacional do caso começou em 2024, quando o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu reportagem revelando denúncias sobre a atuação de serviços de ortopedia ligados ao grupo em hospitais públicos de Mato Grosso, Acre e Roraima.

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Um dos episódios mostrados pela reportagem foi o de um paciente que conquistou na Justiça o direito de receber uma prótese específica, mas que teria sido operado antes da liberação do material determinado judicialmente. Após a cirurgia, o paciente passou a questionar qual prótese, de fato, havia sido implantada em seu corpo.

Em Roraima, a MedTrauma também entrou na mira de investigações relacionadas a um contrato milionário para prestação de serviços de ortopedia no Hospital Geral de Roraima (HGR).

Agora, os “cuiabanos” estão com Mabel e Daniel

Em Goiás, os mesmos nomes reaparecem vinculados à BONE Medicina Especializada Ltda., representada pelo médico Gabriel Naves Torres Borges — o mesmo que figura entre as lideranças do grupo em Mato Grosso. A empresa passou a prestar serviços médicos na rede pública estadual.

Há ainda outro elo que chama atenção na articulação do grupo em Goiás: o advogado Vittor Arthur Galdino, que atua na defesa de investigados ligados aos “cuiabanos”, tornou-se presidente do Instituto Patris — organização social (OS) que mantém contratos milionários para gestão do Hospital Estadual de Luziânia (HEL) e do Hospital e Maternidade Dona Íris, além de administrar o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, unidade da Prefeitura de Goiânia, comandada pelo prefeito Rogério Cruz, o Mabel.

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A movimentação do grupo entre os governos estadual e municipal, somada ao histórico de denúncias em outros estados, acende um sinal de alerta sobre a fiscalização dos contratos de saúde pública em Goiás.

Reportagem em apuração.

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