A proposta flexibiliza as regras para a aplicação de defensivos agrícolas em Mato Grosso, reduzindo distâncias mínimas em diferentes tipos de propriedades rurais.

Mudança nas regras para aplicação de agrotóxicos pode ser um “tiro no pé”, alerta especialista

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Aprovado em segunda votação sob regime de urgência, o Projeto de Lei n°1833/2023, de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), segue agora para a sanção do governador Mauro Mendes (União Brasil). A proposta flexibiliza as regras para a aplicação de defensivos agrícolas em Mato Grosso, reduzindo distâncias mínimas em diferentes tipos de propriedades rurais. Entretanto, especialistas alertam para possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos.

A advogada e consultora jurídica do Observa-MT, Edilene Amaral, aponta que a tramitação acelerada do projeto levanta questionamentos. Segundo ela, o PL permaneceu “parado” por um longo período, mas repentinamente avançou sem um debate técnico aprofundado. “A Assembleia tem muito esse modelo que impede a participação social no debate de projetos que são tão relevantes”, criticou. Amaral também destacou que, apesar de uma audiência pública ter sido convocada pelo deputado Lúdio Cabral (PT), a discussão foi limitada pelo regime de urgência.

O texto foi aprovado em primeira votação em setembro de 2024 e, na última quarta-feira (19), em segunda votação. Três substitutivos foram apresentados, debatidos e rejeitados pelos parlamentares. Para a especialista, a proximidade das eleições de 2026 tem favorecido a aceleração de pautas sensíveis, sem a devida margem para um debate técnico mais amplo.

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O projeto prevê diferentes distâncias mínimas para a aplicação de defensivos conforme o tamanho das propriedades rurais. Para pequenas propriedades, a aplicação é liberada independentemente da distância de áreas protegidas. Já para médias propriedades, a distância mínima será de 25 metros, e para grandes propriedades, de 90 metros de povoações, cidades, vilas, bairros, mananciais de captação de água, moradias isoladas, grupamentos de animais e nascentes.

Para Amaral, no entanto, a medida pode representar um “tiro no pé”, trazendo impactos negativos à agricultura e ao meio ambiente. “Atrapalha a produção, porque você tira as barreiras naturais. A preservação dos mananciais e das áreas de preservação permanente é fundamental até mesmo para a própria agricultura. Pode haver um aumento significativo nos gastos com saúde pública, caso ocorra um aumento de doenças e desequilíbrio ambiental”, afirmou.

Outro risco levantado pela advogada envolve possíveis penalizações internacionais ao setor do agronegócio. Como Mato Grosso é um dos maiores exportadores de produtos agropecuários do Brasil, a ausência de restrições adequadas para a aplicação de defensivos pode afetar a aceitação dos produtos no mercado externo. “Mesmo que seja carne bovina, suína ou de aves, sem uma delimitação correta de aplicação de agrotóxicos, há o risco de contaminação. Isso não afeta apenas a soja, mas toda a cadeia produtiva”, alertou.

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Agora, a decisão final está nas mãos do governador Mauro Mendes. Amaral reforça a importância de o governo estadual considerar os possíveis impactos antes de sancionar o projeto. “Esperamos que o governo de Mato Grosso cumpra com os acordos internacionais e respeite a Constituição. Caso contrário, cabe ao Ministério Público Estadual e a outras entidades legitimadas entrarem com ações de inconstitucionalidade”, concluiu.

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