A juíza federal Juliana Maria da Paixão Araújo manteve a quebra dos sigilos telefônico e bancário do diretor geral do Sistema Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Chapada dos Guimarães (MT), Guilherme Henrique de Oliveira Costa. Ele é investigado por suposta compra de votos nas eleições de 2024 para beneficiar a chapa vencedora, que reelegeu o prefeito Osmar Froner (União). A decisão foi publicada na última quarta-feira (18).
A magistrada analisou um recurso de Guilherme contra a quebra de sigilo determinada pela 34ª Zona Eleitoral de Chapada dos Guimarães. A investigação, que autorizou o acesso aos dados do diretor, foi aberta a pedido da candidata derrotada à prefeitura em 2024, Fabiana Advogada (PSDB).
No recurso, Guilherme argumentou que os indícios de compra de votos eram “insuficientes” para justificar uma medida tão excepcional. No entanto, a juíza federal discordou e afirmou haver “fortes suspeitas” de movimentação de recursos ilícitos em benefício de Osmar Froner, incluindo contratos públicos firmados por Guilherme – que também é empresário – com a prefeitura.
Segundo Juliana Araújo, há indícios de que Guilherme atuou como intermediário no transporte e entrega de dinheiro em espécie para coordenadores da campanha, além de uma transferência bancária suspeita para um dos coordenadores dias antes da eleição.
“Homem da mala” e contratos questionáveis
Conhecido como “homem da mala”, Guilherme Henrique teria repassado R$ 67 mil ao ex-coordenador de campanha Rogério de Araújo Pereira para o pagamento de famílias “cadastradas”, em suposta compra de votos.
Além disso, Guilherme, proprietário de um restaurante, firmou um contrato de R$ 132 mil com a prefeitura para fornecer alimentação a motoristas em deslocamentos fora do município – mesmo que esses profissionais já recebessem diárias para cobrir gastos.
Ação contra o grupo político
A ex-candidata Fabiana Advogada também acionou o vice-prefeito Carlos Eduardo de Lima Oliveira (PSD) e o ex-prefeito, vereador licenciado e atual secretário de governo Gilberto Schwarz Melo (PL).
Fabiana, que foi vereadora, teve o mandato cassado em dezembro de 2023 após denunciar irregularidades na gestão do grupo político que hoje comanda a prefeitura. Nas eleições de 2024, Osmar Froner foi reeleito com 8.987 votos (67,02%), enquanto Fabiana obteve 4.422 (32,98%).
A decisão da juíza reforça as investigações sobre suposto esquema de compra de votos e uso de recursos públicos para beneficiar a campanha do prefeito. O caso segue em tramitação na Justiça Eleitoral.


















