Atraso de pagamentos da Prefeitura a terceirizados deixa acompanhantes sem comida e ameaça paralisar serviços de urgência; obras de nova unidade seguem em ritmo de inauguração.

Dupla crise no Pronto-Socorro de Cuiabá: acompanhantes passam fome e terceirizados ameaçam greve por atraso salarial

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CUIABÁ – A crise na saúde pública de Cuiabá atinge um novo patamar de gravidade no antigo Pronto-Socorro. Enquanto a prefeitura se prepara para inaugurar o Centro Médico Infantil (CMI) no andar superior do prédio, acompanhantes de pacientes internados no andar inferior denunciam a falta de alimentação, e funcionários terceirizados ameaçam paralisar os serviços por atraso nos pagamentos.

Relatos revelam que há dias os acompanhantes não recebem refeições adequadas durante a longa permanência ao lado de seus familiares internados. A situação de desamparo é agravada pela iminência de um colapso maior: os funcionários da empresa terceirizada responsável pelos serviços de alimentação afirmam que podem paralisar as atividades a qualquer momento devido aos salários atrasados.

De acordo com os trabalhadores, que preferiram manter o anonimato por medo de represálias, a Prefeitura de Cuiabá, comandada por Abílio Brunini, não tem honrado os pagamentos. “Estamos há tempo enfrentando dificuldades. Se a situação não for resolvida, não teremos condições de continuar trabalhando”, desabafou uma das funcionárias.

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A ameaça de paralisação joga uma sombra sobre a unidade de saúde, que, mesmo após a abertura do novo Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), continua sendo uma referência vital para atendimentos de urgência e emergência. A interrupção dos serviços de alimentação afetaria diretamente pacientes e acompanhantes, agravando a já precária situação dentro do hospital.

O cenário é de forte contraste. No mesmo endereço, convivem a promessa de uma nova era na saúde, com as obras do CMI em fase final para a inauguração marcada para 12 de outubro, e a realidade de um serviço público básico em colapso, onde a alimentação para quem cuida dos doentes se tornou um artigo de luxo.

A gestão Brunini, que acumula denúncias de inadimplência com fornecedores de outros programas sociais, como o fechamento do Restaurante Popular, agora vê a crise se alastrar para a área da saúde. A falta de transparência e a quebra de contratos com empresas terceirizadas colocam em risco não apenas o sustento dos trabalhadores, mas o funcionamento de um serviço essencial para a população cuiabana.

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A reportagem tentou contato com a assessoria da Prefeitura de Cuiabá para esclarecer os motivos do atraso nos pagamentos e as medidas que serão tomadas para evitar a paralisação e normalizar a alimentação dos acompanhantes. Em nota a  Secretaria Municipal de Saúde informa que o fornecimento de refeições aos pacientes, servidores e acompanhantes está garantido e mantido sem interrupções. A Secretaria esclarece ainda que os pagamentos à empresa responsável pelo serviço estão sendo regularizados, nesta sexta-feira (10) foi repassado o montante de R$ 183 mil e os próximos repasses estarão dentro do cronograma administrativo e financeiro do município. Reforçamos que nenhum paciente ficará sem alimentação e que a rotina de atendimento e fornecimento de refeições segue normalmente, sem prejuízo à população ou aos servidores.

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