Operação "Poço sem Fundo" mira ex-deputado e diretores da Metamat em esquema de R$ 22 milhões

Ex-deputado e diretores da Metamat são alvos de operação que apura desvio de R$ 22 milhões em poços artesianos

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A Operação “Poço sem Fundo”, deflagrada nesta quinta-feira (8) pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), tem como alvos o ex-deputado estadual Wagner Ramos (União Brasil), atual diretor administrativo da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), o diretor técnico Francisco Holandildo Silva Lima e o ex-presidente da companhia Juliano José Boracinski. Eles são investigados por integrar um esquema que desviou R$ 22 milhões dos cofres públicos entre 2020 e 2023.

Atualmente, Juliano Boracinski – irmão do ex-deputado Romualdo Júnior, falecido em março deste ano – ocupa um cargo comissionado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, como consultor adjunto de regularização fundiária, lotado na Secretaria Parlamentar da Mesa Diretora, com salário de R$ 10,4 mil.

Fraude em contratos de poços artesianos

As investigações começaram após denúncia do governo de Mato Grosso e auditorias da Controladoria Geral do Estado (CGE), que identificaram irregularidades em contratos para perfuração de poços artesianos em comunidades rurais. Segundo as apurações, empresas contratadas pela Metamat não cumpriram os serviços, com poços inexistentes, secos ou construídos em áreas particulares, como pastagens, garimpos e até uma granja, em desvio completo do objetivo público.

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Mandados cumpridos e bloqueios

A operação cumpriu 226 ordens judiciais, incluindo busca e apreensão, afastamento de servidorese bloqueio de pagamentos às empresas investigadas. No total, são 24 pessoas físicas alvo (16 servidores ou ex-servidores e 8 empresários), além de 6 empresas envolvidas.

Os investigados tiveram sigilos bancário e fiscal quebrados, passaportes apreendidos e foram proibidos de se comunicar entre si ou de adentrar prédios públicos. Servidores em exercício na Metamat e na Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) foram afastados por determinação judicial.

Extinção da Metamat

Em 2024, o governo de Mato Grosso decidiu pela extinção da Metamat, e suas atribuições serão transferidas para a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. A medida ocorre em meio às investigações que expuseram o esquema de corrupção na empresa pública.

A Deccor ainda não divulgou a participação específica de cada investigado, mas a operação segue em andamento para apurar todos os envolvidos no desvio de recursos que deveriam beneficiar comunidades carentes de água no estado. (com informações folhamax)

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