Dados da Receita Federal revelam que casal mantém controle de duas holdings bilionárias, enquanto engenheiro ligado ao grupo Sollo atua como diretor em empresas do esquema – algumas em crise financeira. Estrutura levanta suspeitas de interposição patrimonial.

VAI VENDO: Dados revelam teia societária de R$ 75 mi ligando governador, esposa e engenheiro de grupo investigado

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Governador Mauro Mendes e esposa controlam holdings de R$ 75 mi em rede societária com executivo de empresas em recuperação judicial

Enquanto o discurso político domina os holofotes, um intricado sistema societário, movimentando dezenas de milhões de reais, opera nos bastidores do governo de Mato Grosso. Documentos oficiais obtidos pela reportagem revelam que o governador Mauro Mendes (UNIÃO) e sua esposa, Virginia Mendes, são os controladores de duas holdings com capital social declarado superior a R$ 75 milhões  diretamente vinculadas ao casal: a Maney Participações LTDA (R$ 47,2 milhões) e a Bipar Investimentos e Participações S.A (R$ 28 milhões)

O que poderia ser apenas uma gestão de patrimônio familiar ganha contornos mais complexos com a presença de um terceiro nome: o engenheiro Luiz Gonzaga de Araújo Neto, ex-funcionário da Sollo Construções LTDA – empresa historicamente ligada à família Mendes. Hoje, ele atua como diretor da Bipar e de outras empresas milionárias, algumas em recuperação judicial, além de estar vinculado a fundos de investimento como 5M Capital e Green Lake, estes últimos associados ao Grupo Fênix, que já é monitorado em investigações federais.

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O engenheiro que virou peça-chave

Chama a atenção o fato de que Luiz Gonzaga, antes sem histórico empresarial de destaque, hoje figura como administrador de empresas em setores estratégicos como energia, infraestrutura e construção pesada. Parte dessas companhias compartilha o mesmo endereço e até o mesmo e-mail corporativo ([email protected]), indicativo de uma gestão centralizada – prática comum em estruturas empresariais interligadas.

A hipótese que emerge dos documentos é a de que Luiz Gonzaga atue como um “testa de ferro” operacional em nome da família Mendes, assumindo cargos formais em empresas onde o governador e sua esposa não podem aparecer diretamente, devido às restrições legais impostas a agentes públicos.

Interposição patrimonial: legal, mas questionável

Essa estratégia, conhecida como interposição de pessoa física, não é crime em si, mas pode ser usada para ocultar controle real, proteger patrimônio ou evitar fiscalização. A legislação brasileira (Lei nº 12.813/2013) proíbe servidores públicos de gerir empresas privadas com potencial conflito de interesses, especialmente quando envolvem setores regulados pelo Estado.

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Além disso, holdings não financeiras, como a Maney e a Bipar, são frequentemente usadas em operações de blindagem patrimonial, com movimentações entre fundos e empresas coligadas que podem escapar ao escrutínio público.

Fiscalização sob demanda

Diante da complexidade do caso, especialistas sugerem que órgãos como Ministério Público Federal (MPF), Tribunal de Contas da União (TCU) e Receita Federal deveriam analisar:

  • A origem dos recursos que alimentam essas estruturas;

  • Os fluxos financeiros entre holdings, fundos e empresas em recuperação judicial;

  • E se há compatibilidade entre as atividades empresariais e o exercício do cargo público por Mauro Mendes.

Por que isso importa?

A reportagem, baseada exclusivamente em dados públicos, não acusa ilegalidades, mas expõe uma teia que merece transparência. Enquanto Mauro Mendes governa um estado estratégico para o agronegócio e a infraestrutura nacional, sua família mantém interesses em empresas que podem ser impactadas por políticas estaduais – ou mesmo beneficiadas.

A pergunta que fica: Se Luiz Gonzaga é o gestor visível, quem está nos bastidores?

 

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