Fábio Garcia é citado em denúncias feitas por Taques em razão do pai dele ser o principal cotista do fundo Lotte Word, que recebeu R$ 154 milhões no chamado “Escândalo da Oi”.

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO: Fabinho não comenta R$ 154 milhões pago ao pai, mas reclama de “apelido” usado por Taques

foto ilustrativa

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O chefe da Casa Civil do Estado de Mato Grosso, Fábio Paulino Garcia, ingressou com uma ação inibitória cumulada com pedido de danos morais contra o ex-governador e ex-procurador da República Pedro Taques (PSB). A ação, protocolada na 10ª Vara Cível de Cuiabá, pede a condenação do réu ao pagamento de R$ 56 mil e a concessão de tutela de urgência para impedir que ele continue fazendo publicações “ofensivas” nas redes sociais.

Fábio Garcia é citado em denúncias feitas por Pedro Taques em razão do pai dele, o empresário Robério Garcia, ser o principal cotista do fundo Lotte Word, que recebeu R$ 154 milhões do estado de Mato Grosso através do chamado “Escândalo da Oi”, em um acordo firmado para devolver dinheiro à empresa telefônica, que acabou em fundos de investimentos de pessoas ligadas ao governo. Na ação, Garcia não comentou sobre o fato do pai ser o principal cotista do fundo e disse apenas não ser “beneficiário” do dinheiro.

“Ressalte-se que o Requerente não é parte em qualquer acordo com a empresa Oi, não é beneficiário de qualquer fundo discutido, não possui relação societária com as empresas mencionadas e jamais foi investigado ou processado por qualquer conduta relacionada aos fatos manipulados pelo Réu”, diz trecho da ação proposta pelos advogados Rodrigo Terra Cyrineu e Gabriel A. Ultramari.

O processo, que tramita em segredo de Justiça, foi distribuído por dependência a duas outras ações já em andamento na mesma Vara, nas quais Taques foi processado porque denunciou o chamado “escândalo da Oi”, em que R$ 308 milhões saíram dos cofres públicos e foram parar em fundos de investimentos com ligações com o governador Mauro Mendes (União) e seus aliados. Após o acordo, o dinheiro foi dividido em metades: R$ 154 milhões para o fundo Royal Capital e R$ 154 milhões para o fundo Lotte Word, do pai de Fábio Garcia.

Ao ser questionado sobre o fato de que o dinheiro foi destinado para um fundo que pertence ao pai do secretário da Casa Civil, o governador Mauro Mendes declarou que “depois que o dinheiro vira privado” não haveria mais razão para julgar os procedimentos adotados. Mendes também negou que o fundo pertenceria ao pai de Fábio Garcia. No entanto, documentos revelados pelo PNB Online indicam que Berinho, como é conhecido, é o principal cotista do fundo através de suas empresas e do seu próprio CPF. Veja abaixo.

 

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Na petição inicial, os advogados Rodrigo Terra Cyrineu e Gabriel A. Ultramari afirmam que Taques tem produzido conteúdo de forte apelo político-eleitoral em suas redes sociais, especialmente no Instagram, onde desenvolve uma série de vídeos que ele mesmo denomina de “capítulos”. Nas gravações, o ex-governador afirma estar revelando supostas irregularidades no acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa Oi S.A., episódio que ele classifica como “escândalo da Oi”.

“Não bastasse, o Réu também se vale de apelidos pejorativos e diminutivos, afirmando que tais valores teriam alcançado supostos grupos de pessoas que ele denomina por diminutivos — método discursivo já reconhecido pelo PODER JUDICIÁRIO como instrumento de ridicularização, ataque pessoal e desumanização simbólica”, diz trecho da representação contra Taques.

Os advogados de Fábio Garcia sustentam que o requerente jamais teve contra si qualquer acusação formal por práticas contra a administração pública e que sua trajetória pública sempre foi pautada pela honra e integridade funcional. Eles destacam que o próprio Ministério Público do Estado de Mato Grosso, em parecer protocolado em 21 de março de 2026 na Ação Popular nº 1004362-14.2026.8.11.0041, manifestou-se pela improcedência integral do pedido de Taques, reconhecendo a inexistência de qualquer ilegalidade no acordo com a Oi e a ausência de prejuízo ao erário.

O parecer do subprocurador-geral de Justiça Jurídico e Institucional, Marcelo Ferra de Carvalho, foi categórico ao afirmar que “mantém-se hígido o Termo de Autocomposição nº 026/CONSENSO-MT/2023, por ausência de elementos substanciais que justifiquem a medida cautelar e pela existência de análises técnicas que já concluíram pela inexistência de dano ao patrimônio público”.

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Os advogados de Fábio Garcia sustentam que as acusações feitas por Taques não se enquadram como crítica política legítima ou manifestação jornalística protegida pela ordem constitucional. Para eles, trata-se de “desinformação deliberada” e “construção artificial de escândalo político” com o objetivo de causar dano reputacional e obter vantagem política indevida.

O pedido de tutela de urgência visa impedir que Taques publique em suas redes sociais, conceda entrevistas ou se pronuncie por qualquer meio sobre o autor até o julgamento final da causa. No mérito, a ação pede a condenação do ex-governador ao pagamento de R$ 56 mil por danos morais, valor que os advogados consideram razoável e capaz de cumprir as funções compensatória e punitiva.

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