Faissal Calil (PL) publicou vídeo debochando da investigação; parlamentar e desembargador afastado são suspeitos de envolvimento em esquema de venda de sentenças no TJMT

OPERAÇÃO GEMINI: Após buscas da PF, Deputado Bolsonarista ironiza Rolex apreendido e nega ser dono dos itens, veja VÍDEO

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Um dia após se tornar alvo da Polícia Federal, o deputado estadual Faissal Calil (PL-MT) escolheu o humor para responder às investigações. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (9), o parlamentar exibiu um relógio no pulso e ironizou: “Que horas são aí no meu Rolex?”. Em seguida, afirmou que “o povo mente mesmo”, sugerindo que o item de luxo apreendido pelos agentes não seria de sua propriedade.

A provocação acontece no rastro da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na segunda-feira (8), com o objetivo de aprofundar investigações relacionadas à suposta comercialização de decisões judiciais e à prática de lavagem de dinheiro no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Durante a ação, a PF apreendeu arma de fogo, centenas de munições, carregadores, canetas de luxo e um relógio Rolex avaliado em mais de R$ 100 mil. Entre os materiais recolhidos pelos agentes federais estão ainda 11 canetas de grife, incluindo exemplares da marca Montblanc, uma pistola, um revólver e um fuzil. As fotos do material apreendido foram divulgadas pela assessoria da PF, mas ainda não há especificação oficial sobre em qual das residências dos alvos os itens foram localizados.

Ao ser abordado pela imprensa logo após as buscas, o parlamentar afirmou que apenas seu aparelho celular foi levado para perícia e que colaborou fornecendo suas senhas e acesso ao iCloud. Ao ser questionado sobre o material bélico registrado pelos investigadores, o deputado afirmou que os itens não foram encontrados em sua residência: “A arma não é aqui de casa, o Rolex também não, não tem joia, não tem fuzil.”

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O esquema investigado

A investigação apura supostos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro envolvendo o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o parlamentar e outros agentes públicos e privados que teriam participado de um esquema de comercialização de decisões judiciais.

Segundo documentos judiciais obtidos pela imprensa, Faissal, que já foi assessor de Dirceu dos Santos e posteriormente atuou como advogado habilitado no processo, teria desempenhado papel relevante para que um recurso relacionado a uma disputa fundiária fosse distribuído ao magistrado investigado.

O desembargador Dirceu dos Santos é apontado como o destinatário final das vantagens indevidas. O advogado Bruno Oliveira Castro teria atuado como elo entre os interessados e o magistrado, enquanto o deputado Faissal Calil é investigado por suposta participação em operações financeiras.

As investigações, fundamentadas em dados telemáticos e relatórios do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apontam que o grupo teria movimentado cerca de R$ 3,2 milhões em transações suspeitas, incluindo repasses de empresas do agronegócio sem justificativa comercial.

Desembargador com patrimônio incompatível

O caso contra Dirceu dos Santos não é novidade. O desembargador foi afastado cautelarmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em março, após indícios de movimentações financeiras incompatíveis com seus rendimentos. Investigações apontam que o magistrado teria movimentado patrimônio superior a R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos — valor incompatível com os rendimentos declarados. Só em 2023, a diferença entre a evolução patrimonial e os ganhos lícitos informados teria alcançado cerca de R$ 1,9 milhão.

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Uma reportagem publicada pelo site Congresso em Foco, em 2020, revelou que Dirceu e Faissal possuíam um apartamento juntos. O deputado, no entanto, nega manter qualquer vínculo atual com o magistrado, afirmando que perdeu o contato após deixar o cargo de servidor do Judiciário mato-grossense para assumir o mandato na Assembleia Legislativa.

Defesa e reação da família

A presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL), irmã do deputado, saiu em defesa de Faissal durante a sessão desta terça-feira (9). A vereadora afirmou confiar na inocência do irmão e declarou que, em período de pré-campanha eleitoral, “perseguições políticas” podem ocorrer.

A decisão do ministro do STJ João Otávio de Noronha que deu origem à Operação Gemini autorizou um amplo conjunto de medidas investigativas contra 18 pessoas físicas e jurídicas. A ordem foi proferida em 26 de maio. A operação é um desdobramento direto da Operação Sisamnes, investigação anterior que já apontava irregularidades no tribunal mato-grossense. Todos os investigados negam as irregularidades.

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