Manobra de deputados é vetada, mas o governo de MT sinaliza manutenção da pauta

Após muita pressão, governador Mauro Mendes veta integralmente PL que reclassificaria vegetação amazônica em cerrado ampliando desmatamento

Deputados podem transformar florestas de MT em cerrado duplicando área permitida para desmatamento

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Organizações socioambientais, pesquisadores e a sociedade civil comemoram uma vitória no campo ambiental em Mato Grosso. Nesta terça-feira (21), o governador Mauro Mendes vetou integralmente o Projeto de Lei Complementar (PLC) 18/2024, que reclassificaria áreas de vegetação no estado, ampliando as regiões passíveis de desmatamento e reduzindo as áreas de Reserva Legal. A decisão foi anunciada por meio da Mensagem 10/2025, publicada no Diário Oficial, após intensa mobilização e pressão de entidades ligadas ao meio ambiente.

“Amazônia não é Cerrado”: a mobilização

Desde que o PLC 18/2024 foi apresentado, ainda no ano passado, o Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad) liderou um movimento de oposição, com o apoio de quase 40 organizações. A campanha ganhou força nas redes sociais e alertou para os riscos ambientais e climáticos da medida.

“Se aprovado, o PLC representaria outro avanço político-jurídico para a exploração de terras e uso do solo, contribuindo para o aumento das emissões de gases do efeito estufa”, afirmou o Formad em nota pública.

O projeto de lei, aprovado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) no dia 8 de janeiro, antes mesmo da retomada oficial do calendário legislativo, buscava reclassificar vegetações no estado, alterando a abrangência de áreas protegidas. Para os críticos, a proposta colocava em risco os biomas amazônico, pantaneiro e cerrado, que já sofrem com altas taxas de desmatamento e queimadas no estado.

Os argumentos contra o PLC

Pesquisadores e entidades socioambientais apontaram uma série de irregularidades no projeto. Entre elas, o risco de aumento do desmatamento legalizado, além de conflitos com legislações estaduais, como a Lei Complementar nº 592/2017 e o Decreto Estadual nº 1.031/2017.

Em sua justificativa para o veto, o governador afirmou que o PLC “ofende à competência concorrente em matéria ambiental e à competência privativa do Poder Executivo” e que representa “risco ao princípio do meio ambiente ecologicamente equilibrado”. A Procuradoria-Geral do Estado também se manifestou contra o projeto.

Vitória parcial e cautela

Apesar do veto, organizações socioambientais permanecem atentas. Mauro Mendes anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir alguns itens do projeto, o que gerou desconfiança entre os ambientalistas. Para eles, a maioria dos deputados estaduais na ALMT está vinculada aos interesses do agronegócio e pode pressionar por medidas que fragilizem a proteção ambiental.

“A luta não termina aqui. Propomos um debate público amplo e fundamentado na ciência para assegurar que decisões futuras sejam tomadas com responsabilidade ambiental”, destacou o Formad em sua nota.

Mato Grosso: um estado entre o agronegócio e a conservação

Mato Grosso, conhecido como um dos maiores exportadores de grãos do Brasil, também lidera os rankings de desmatamento e queimadas, evidenciando o impacto do modelo de exploração da terra. Para entidades como o Formad, o veto ao PLC 18/2024 representa um respiro em meio a sucessivas tentativas de retrocesso ambiental, mas a pressão por políticas sustentáveis e participação pública nas decisões continua.

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A mobilização contra o PLC 18/2024 deixa um recado claro: a sociedade civil não pretende se calar diante de manobras que colocam em risco os biomas do estado e o equilíbrio climático global.

 

Veja a nota completa:

NOTA PÚBLICA – PLC 18/2024

Manobra de deputados é vetada, mas governo de MT sinaliza manutenção da pauta.

 

“Amazônia não é Cerrado!”, um grito que organizações socioambientais, pesquisadores e a sociedade civil por todo o país entoaram desde o ano passado quando foi apresentado o Projeto de Lei Complementar 18/2024, que altera a classificação de vegetação em Mato Grosso. A tentativa de flexibilização da lei ambiental, que em última análise legalizaria o desmatamento no estado uma vez que a reclassificação da vegetação expande a área passível de desmatamento, impactaria diretamente na redução das áreas de Reserva Legal em Mato Grosso. O que isso significa? No estado do agronegócio, caso não fosse vetado pelo governador, representaria outro avanço político-jurídico para a exploração de terras e do uso do solo, que contribuem para as altas emissões de gases do efeito estufa pelo Brasil. Nesse episódio, “passar a boiada” não deu certo.

Esta não é a primeira e, infelizmente, não será a última tentativa de implementar uma política pública antiambiental em Mato Grosso, estado que já é conhecido nacionalmente por legislações semelhantes nos últimos anos. O estado que se vangloria por ser um dos maiores exportadores de grãos e commodities é também um dos campeões em desmatamento e queimadas ano após ano, até porque um fato está diretamente ligado ao outro em razão da notória insustentabilidade do modelo de uso da terra e do solo.

Ao dizer que esta não é a primeira e nem será a última manobra antiambiental e anticlimática em Mato Grosso, viemos a público manifestar que não nos calaremos diante do projeto de governo pautado pelo retrocesso socioambiental.Um estado que abriga três importantes biomas (Amazônia, Cerrado e Pantanal) deveria ser o mesmo que conserva e protege seus territórios, mas não é isso que vemos dos poderes legislativo e executivo, a exemplo do PLC 18/2024, aprovado no último 8 de janeiro, vale destacar, antes mesmo da retomada do calendário oficial de atividades da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

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Ao longo de sua história, há mais de 30 anos, o Fórum Popular Socioambiental (Formad – antigo Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento) representa quase 40 organizações socioambientais do estado e sempre se posicionou em diversas questões com impactos não só ao meio ambiente, mas aos povos e comunidades tradicionais, aos agricultores familiares, aos direitos humanos e da terra e a favor da participação da sociedade em políticas públicas. Temos travado lutas contra a desinformação e o aparelhamento dos veículos de comunicação em Mato Grosso, que até tentam dar visibilidade a absurdos como esse de forma crítica, mas são silenciados pelo poder político-econômico que controla o discurso público.

O PLC 18/2024 apresentou uma série de irregularidades e potenciais danos ambientais que foram apontados por autoridades no assunto, pesquisadores e entidades atentas ao perigo representado por uma nova e arbitrária reclassificação de áreas em que a taxa de desmatamento aumentaria de forma legal por meio da redução da área de Reserva Legal.

A decisão final estava nas mãos do governador Mauro Mendes, que apesar do seu retrospecto antiambientalista, assinou hoje (21.01), a Mensagem 10/2025, com o veto integral ao projeto, acatando, entre muitos pedidos, ao da Procuradoria-Geral do Estado. A justificativa dada é de que o PLC ofende à competência concorrente em matéria ambiental e à competência privativa do Poder Executivo; risco ao princípio do meio ambiente ecologicamente equilibrado; conflito normativo com a Lei Complementar Estadual nº 592/2017 e com o Decreto Estadual nº 1.031/2017.

O veto, apesar de positivo diante dos potenciais danos ambientais e climáticos, ainda não é o ponto final dessa história. A contraproposta do governador é a criação de um grupo de trabalho para discutir alguns dos itens do projeto. O que esperar de uma Assembleia Legislativa ocupada em sua maioria por políticos vinculados aos interesses latifundiários que trabalham para conquistar ainda mais territórios para si e para os seus?

Neste sentido, o Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad) atua com responsabilidade e propõe o debate público para dar continuidade à pauta, já que consciência e responsabilidade ambiental parece ser algo inatingível para os poderes legislativo e executivo do estado. E que a ciência seja levada em consideração ao analisar a viabilidade deste projeto, além de diálogos públicos e ampliados com a sociedade que tem o direito de acessar as informações, saber dos riscos e dos verdadeiros impactos das alterações vislumbradas com o PLC.

#PLC18NÃO

Secretaria Executiva do Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad)

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