POVOS TRADICIONAIS

Hidrelétrica em MT impede indígenas de visitar urnas funerárias de ancestrais, diz DPU

Caio Mota/Divulgação

publicidade

A Defensoria Pública da União (DPU) encaminhou uma recomendação à Usina Hidrelétrica Teles Pires, construída no rio de mesmo nome, no Mato Grosso, para que a empresa “pare de ferir” direitos fundamentais do povo indígena Munduruku. De acordo com o órgão, eles estariam impedidos de visitar urnas funerárias que estão dentro do território da empresa.

A recomendação se dá no âmbito de um processo aberto em julho. A disputa no local se desenrola há cerca de dez anos. Segundo os indígenas, a construção do empreendimento destruiu dois locais sagrados para essas comunidades, o Karabixexe (cachoeira Sete Quedas) e a Dekuka’a (Morro dos Macacos).

O primeiro local é onde ficavam armazenadas as urnas funerárias da aldeia, que são consideradas sagradas e fazem parte de suas práticas mortuárias.

“Com a construção da hidrelétrica a região em que as urnas se encontravam foi alagada e, consequentemente, os representantes da Teles Pires redirecionaram-nas para outro local, sem consentimento ou aviso à comunidade”, narra o relatório da DPU.

A usina, segundo a Defensoria, enviou os objetos para a Universidade do Estado de Mato Grosso, que os expôs no Museu de Alta Floresta. Após mobilização, os mundurukus conseguiram reaver suas urnas funerárias.

Leia Também:  Vídeo: touro pula cerca, invade plateia de rodeio e fere 4 pessoas

Elas foram colocadas em um lugar escolhido pelos pajés dentro do território da usina. Segundo o relato, representantes da empresa e os mundurukus entraram em acordo para que a comunidade pudesse visitar o local em determinados momentos para realizar seus rituais.

Depois do acordo, porém, os indígenas passaram a ser novamente barrados. “Com isso, mais uma vez, a referida empresa feriu profundamente os direitos fundamentais da população Munduruku”, afirma ainda a DPU.

Um pajé munduruku diz que há um ritual previsto para o próximo mês e, caso a visita não seja realizada, será uma situação devastadora para o povo. “Nossos espirituais estão lá sofrendo e pedindo para que a visita aconteça. Se essa visita não acontecer em novembro, haverá sérias consequências e acidentes”, afirmou ele, em depoimento à Defensoria.

“A negativa deste pedido caracteriza dano espiritual ao referido povo indígena que sofreu com a violação de seu direito a consulta prévia e, posteriormente, o impedimento à prática de suas tradições”, segue o relatório da DPU.

O órgão pede que a empresa informe, em até 20 dias, “as medidas que foram adotadas em face desta recomendação”, e que seja realizada uma reunião em novembro.

Leia Também:  DINHEIRO PÚBLICO: Ministério Público é criticado por pedir arquivamento do escândalo da Oi: “MPet”

A DPU ainda faz uma advertência de que a recomendação é uma maneira de evitar ações judiciais, mas a possibilidade de entrar na Justiça “para assegurar o cumprimento da presente recomendação” não está excluída.

Procurada, a Eletrobras, que desde o dia 26 de setembro detém 100% da usina de Teles Pires, diz que “está avaliando a questão”.

“A companhia reitera que está comprometida em contribuir efetivamente, por meio de seus negócios, para o desenvolvimento sustentável das áreas e comunidades onde atua”, diz ainda.

Fonte: FOLHAPRESS

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide