SE NÃO CRIARMOS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O MEIO AMBIENTE, ESSA SITUAÇÃO PODE SE TORNAR IRRERVERSIVEL

MAIS BAIXO EM 124 ANOS: Nível do rio Paraguai bate novo recorde negativo, veja

Vista da seca no rio Paraguai - 08/06/2024 — Foto: Jorge Adorno/Reuters

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A medição do nível do rio Paraguai na Base Fluvial de Ladário (MS), da Marinha, segue batendo recordes negativos. Após atingir -62cm na última terça (8), batendo um recorde que durava 60 anos, a medição atingiu -70cm às 10:30 da manhã desta quarta-feira (16). Os números são atualizados a cada 15 minutos pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Desde a quebra do recorde na semana passada, cada novo recorde foi superado nos dias 9, 11, 12, 13, 14 e 16 (hoje), segundo o monitoramento – ou seja, em 6 dos últimos 8 dias, sendo igualado nos 2 dias restantes.

Monitoramento do nível do rio Paraguai na estação de Ladário de 00:00 às 17:00 desta quarta-feira (16). A marca dos -70cm foi atingida às 10:30, 16:15 e 17:00. Crédito: Sistema Hidro-Telemetria/ANA

Os níveis detectados são os menores desde o início do monitoramento, em 1900, segundo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). O órgão ambiental explica que, apesar da cota negativa, em Ladário “o rio mantém aproximadamente 5 metros de profundidade devido às características geológicas da região, que criam um canal natural no leito”.

“A cota zero é uma referência histórica que marca um ponto crítico de profundidade, mas isso não significa ausência total de água. Quando o nível fica abaixo desse ponto, o rio ainda possui profundidades variadas ao longo de seu curso, o que permite a manutenção de algumas atividades essenciais, como o abastecimento e o transporte fluvial”, afirma o Imasul. Mesmo assim, o abastecimento de água, o turismo e a pesca estão sendo impactados pela seca histórica, de acordo com o órgão.

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Segundo o Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE) do Serviço Geológico do Brasil (SGB), dos 8 pontos de monitoramento do rio Paraguai, 4 estão nos níveis mínimos históricos – caso das estações de Porto Conceição, Pousada Taiamã e Porto Esperança, além da estação de Ladário. As outras 4 (Barra do Bugres, Cáceres, Bela Vista do Norte e Forte Coimbra), embora não estejam nas mínimas históricas, apresentam seca extrema.

Mapa dos pontos de monitoramento do nível dos rios do Pantanal. As estações do rio Paraguai são as localizadas mais a oeste. Crédito: Serviço Geológico do Brasil

Apesar desse cenário, pode haver alguma melhora na situação de seca extrema nos próximos dias. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) prevê pancadas de chuva em períodos variados entre a noite de hoje e o domingo (20), tanto em Ladário quanto nas cidades ao norte, até a nascente do rio Paraguai – Corumbá (MS), Cáceres (MT), Barra do Bugres (MT), Alto Paraguai (MT) e Diamantino (MT). O órgão, porém, não especifica a quantidade de chuva prevista.

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