A MT Participações e Projetos S.A. (MT PAR) oficializou a prorrogação do contrato com a empresa Cinque Terre Ltda, estendendo por mais 12 meses, até abril de 2027, o fornecimento de insumos para as obras do controverso Parque Novo Mato Grosso. O aditivo, assinado pelo diretor-presidente Wener Klesley dos Santos, visa garantir o fluxo de materiais e evitar paralisações em um projeto que, apesar de alardeado como uma “vitrine da gestão”, tem sido alvo de crescentes questionamentos sobre seus custos e prioridades em um estado com demandas sociais urgentes .
O “Parque Novo Mato Grosso”, apelidado por críticos de “Parque dos Bilionários”, tem um custo total que já ultrapassa a marca de R$ 600 milhões, com projeções que chegam a R$ 1,5 bilhão . No centro da polêmica está a aquisição de uma roda-gigante, cujo valor tem sido reportado entre R$ 9 milhões e R$ 70 milhões . Essa disparidade nos valores e a magnitude do investimento em uma única atração de lazer têm gerado indignação e levantado sérias dúvidas sobre a alocação de recursos públicos.
Críticos, como o ex-governador Pedro Taques, apontam para o contraste entre os bilhões gastos no parque e as necessidades básicas da população. O senador Jayme Campos (União) também manifestou sua “indignação” com o investimento milionário na roda-gigante, questionando a prioridade de tais gastos . Relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE) já teriam revelado “graves falhas de planejamento e execução” no empreendimento, que teve seu orçamento inicial aumentado em mais de 300% para incluir novos atrativos, como a própria roda-gigante e uma “vila das nações” .
A prorrogação do contrato com a Cinque Terre Ltda, embora justificada pela MT PAR como “estratégica para o cronograma do Estado”, ocorre em um cenário onde a transparência e a pertinência dos gastos são constantemente postas em xeque. Enquanto a gestão defende o projeto como um futuro “maior espaço de lazer e eventos da região”, a sociedade mato-grossense e a oposição política demandam clareza sobre a real necessidade e o impacto social de investimentos tão vultosos em detrimento de áreas como saúde, educação e segurança.
Este aditivo contratual, que mantém as cláusulas originais de um acordo firmado em 2025, reforça a continuidade de um projeto que, para muitos, simboliza o descolamento entre as prioridades governamentais e as carências da população. A manutenção do ritmo das obras no Parque Novo Mato Grosso, portanto, segue como uma prioridade administrativa, mas também como um ponto de interrogação sobre a gestão dos recursos públicos no estado.

COMENTE ABAIXO:













