Uma espécie de bunker usado para guardar dinheiro em espécie estaria entre as estruturas de um suposto esquema milionário de desvio de recursos públicos da saúde no Ceará. A chamada “sala do dinheiro” funcionaria na sede da Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph), investigada pela Polícia Federal (PF) por movimentações financeiras suspeitas ligadas a uma rede de mais de 80 empresas apontadas como fictícias.
O local é citado na investigação que deu origem à Operação Coaptação, deflagrada na quinta-feira (8) pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo os investigadores, o espaço tinha equipamentos de contagem de dinheiro e servia para armazenar valores de saques feitos por operadores financeiros ligados à cooperativa. O funcionário Fernando Antônio Rosa Cavalcante, apontado como responsável pelo local, é um dos cinco suspeitos com prisão preventiva decretada.
De acordo com a apuração, dirigentes da Coaph, empresários e contadores teriam usado empresas de fachada para emitir notas fiscais de serviços que não foram prestados. Depois de receber os pagamentos, essas empresas faziam saques em espécie, transferências bancárias e pagamento de despesas de terceiros, o que dificultava o rastreamento do dinheiro. A PF também encontrou indícios de operações parecidas em outras entidades contratadas pelo poder público para prestar serviços de saúde.
Ao todo, a operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão no Ceará e na Paraíba. A Justiça Federal também determinou o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos supostamente ligados aos investigados.
Presença em Cuiabá
A Coaph é a mesma empresa que presta serviço nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Cuiabá na gestão do prefeito Abilio Brunini (PL).
O contrato em Cuiabá não é alvo da Operação Coaptação, e a investigação da PF diz respeito a fatos ocorridos no Ceará. Até o momento, não há informação sobre irregularidades nos serviços prestados na capital mato-grossense.


















