A Distribuidora Colorado de Bebidas Ltda., empresa ligada ao suplente de senador Mauro Carvalho (PRD), ocupa irregularmente um trecho da rua Augusto Severo, em Várzea Grande, há mais de 18 anos. A apropriação indevida levou o Ministério Público Estadual (MPE) a entrar com uma ação para garantir a retomada da área, alegando que o bloqueio impede o desenvolvimento urbano da região.
Em 2022, a Justiça determinou a desobstrução imediata do local e proibiu a Prefeitura de Várzea Grande e a empresa de venderem a área. Mesmo assim, a distribuidora manteve o trecho fechado e recorreu, afirmando que a ocupação está consolidada há quase duas décadas, sem prejuízo à população.
O processo segue parado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), sob relatoria do desembargador José Luiz Leite Lindote, que encaminhou o caso para o Centro Judiciário de Solução de Conflitos (Cejusc). Uma audiência de conciliação está marcada para 28 de julho, mas até agora não há definição sobre a liberação da rua.
Imagens de drone feitas pelo VGN mostram como o imóvel bloqueia o traçado da Augusto Severo, comprometendo o trânsito, travando obras de infraestrutura e limitando a expansão do bairro.
Nos autos, a empresa informou que negocia um acordo com a Prefeitura, na gestão da prefeita Flávia Moretti (PL), mas o impasse persiste. Para o promotor Marcelo Caetano Vacchiano, o Ministério Público apoia o diálogo, caso seja transparente, homologado pela Justiça e garanta segurança jurídica e respeito ao interesse público.
O VGN entrou em contato com a Prefeitura de Várzea Grande, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta. O espaço permanece aberto caso o município queira se manifestar.
Enquanto isso, moradores e comerciantes reclamam que o bloqueio da rua atrasa o fluxo de veículos, trava obras de infraestrutura e emperra o crescimento do bairro, que poderia ganhar novas vias de acesso e melhorar a mobilidade na região.
Nota do Ministério Público
O Ministério Público sempre se posicionou como entusiasta da solução pacífica de conflitos, especialmente por meio da conciliação e do diálogo interinstitucional. Em se tratando de questões que envolvem interesses ambientais e sociais relevantes, o MP está aberto a avaliar propostas que respeitem os princípios constitucionais e que assegurem a proteção efetiva do meio ambiente e dos direitos coletivos.
Eventuais composições, contudo, devem ser formalizadas com a devida transparência e submetidas à chancela do Poder Judiciário, garantindo segurança jurídica, controle institucional e respeito ao interesse público


















