Governo de MT aprova aditivo de R$ 5,2 mi para obra do “Parque dos Bilionários” em meio a críticas
Em mais um capítulo do polêmico projeto do Parque Novo Mato Grosso, popularmente conhecido como “Parque dos Bilionários”, o governo estadual aprovou um aditivo contratual de R$ 5,2 milhões para a Lotufo Engenharia e Construções Ltda., empresa responsável pela construção do Complexo Cultural da Praça da Família. O reajuste de 7,21% eleva o valor total do contrato para R$ 72,1 milhões, todos provenientes dos cofres públicos.
O complexo, que inclui dois museus, praça de alimentação e mirante, foi idealizado para ser um cartão-postal da capital, mas tornou-se símbolo de desigualdade e dos privilégios concedidos à elite do agronegócio no estado. A justificativa para o aditivo foi o reajuste de custos, mas críticos apontam para a falta de transparência e o timing questionável do aporte financeiro.
— Enquanto a população sofre com a precariedade da saúde, a falta de investimentos em educação e o déficit habitacional, o governo insiste em destinar dezenas de milhões para um espaço que será administrado por um grupo privado e frequentado pela mesma elite que financiou a obra — denuncia um servidor público que preferiu não se identificar.
De fato, a empresa SR, ligada ao empresário e produtor rural Fernando Maggi, já foi selecionada para administrar o local, consolidando o que movimentos sociais têm chamado de “apartheid social”: o custeio é público, mas o usufruto será majoritariamente privado.
A obra, localizada em área nobre da capital, é alvo de protestos desde o início de sua execução. Ambientalistas questionam o impacto urbanístico e a apropriação de espaço público para um empreendimento de perfil exclusivo. Já associações de moradores de bairros periféricos reclamam da prioridade dada a um projeto faraônico em detrimento de necessidades básicas.
Procurada, a assessoria do governo estadual não se manifestou sobre as críticas ou o aditivo contratual. Também não há previsão de audiências públicas para discutir a destinação do espaço ou a gestão compartilhada com a iniciativa privada.
Enquanto isso, o “Parque dos Bilionários” segue sendo erguido a toque de caixa – e às custas do contribuinte.



















