O desempenho do Gabinete Estadual de Intervenção na Saúde de Cuiabá, em funcionamento desde março por determinação judicial, não conquistou a aprovação da população, mesmo diante dos esforços da mídia alinhada ao Governo do Estado na capital para criar uma imagem de melhoria fictícia.
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Gazeta Dados, entre os últimos dias 15 e 18 de novembro, em diversos bairros da cidade, 60% da população tem sérias reclamações sobre o setor e este mesmo percentual acredita que a saúde deve ser o principal norte do debate das eleições 2024.
Para se ter uma ideia do tamanho do problema, a segunda causa de preocupação do povo é a pavimentação de ruas e avenidas, que mostrou ser prioridade máxima para 8% dos entrevistados.
O número evidencia que, diferente do propagado, os problemas crônicos relativos à falta de medicamentos, de médicos plantonistas, bem como filas intermináveis para consultas, exames e cirurgias, seguem fazendo parte da rotina agoniante do usuário do SUS, na capital.
A situação caótica, diga-se de passagem, não é um “privilégio” de Cuiabá, mas praticamente de todas as capitais brasileiras que absorvem a demanda represada vinda de todo o estado.
Do ponto de vista midiático, o contraste entre a retórica exagerada dos numerosos anúncios pomposos do Gabinete de Intervenção e a dura realidade, conforme narrada pelos próprios afetados, torna evidente a realidade de muita propaganda e poucos resultados.
A pesquisa reforça ainda a tese da possível banalização do instrumento legal da Intervenção, que deveria ser usado só realmente mediante uma necessidade drástica. Do contrário, surge intrigante o sintoma de que a coisa pode sim ser mais política do que técnica.




















