QUER DESVIAR ATENÇÃO PARA O VERDADEIRO PROBLEMA

Mauro Mendes fala de ‘crescimento da bandidagem’ mas perdoa dívidas milionárias de empresários do agro que cometeram crimes ambientais

Foto: Christiano Antonucci

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Nesta ultima quinta-feira (23), durante o AgroFórum promovido pela BTG Pactual, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), falou sobre o aumento da violência no Brasil e no Mato Grosso, atribuindo o problema à Lei brasileira  e afirmando que o “crescimento da bandidagem afasta novos investimentos”. No entanto, essa declaração foi recebida com críticas por parte de especialistas e defensores da reforma agrária, que apontam que o verdadeiro problema está na concentração de investimentos em grandes produtores e empresários, o que gera prejuízos ambientais e econômicos ao estado.

Um estudo intitulado “O Agro não é tech, o Agro não é pop e muito menos tudo”, publicado pela Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra) em parceria com a FES Brasil, revela uma narrativa diferente da promovida pela conhecida campanha “Agro é pop”, transmitida pela Rede Globo desde 2016. Segundo a pesquisa, o agronegócio contribui pouco para o Produto Interno Bruto (PIB), gera altos custos para o Estado, cria poucos empregos e é o principal responsável por devastação ambiental no país.

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Os dados são alarmantes: somente em 2023 e 2024, as multas ambientais perdoadas aos empresários e fazendeiros do Agronegócio somam cerca de 117 milhões de reais. Esses recursos poderiam ser investidos na preservação dos biomas e na melhoria da qualidade de vida da população mais pobre de Mato Grosso. A destruição inclui milhares de animais mortos, árvores derrubadas e a contaminação das águas, enquanto os responsáveis (empresários e produtores)  por esses crimes ambientais, em grande parte, permanecem impunes.

O pesquisador Marco Antônio Mitidiero Jr. destaca o peso financeiro que o agronegócio representa para o Estado brasileiro. “É o Estado brasileiro o responsável pela maior quantidade dos créditos disponibilizados à agricultura e à pecuária. O agro recebe um monte de dinheiro enquanto a agricultura camponesa ou familiar recebe pouco recurso público”, afirma.

Apesar das evidências de degradação ambiental e injustiça social, o governador Mauro Mendes parece desviar a atenção desses problemas ao focar no aumento da criminalidade comum, sugerindo que este seria o principal obstáculo para novos investimentos no estado.

Apesar de toda essa “bandidagem” e degradação ambiental e injustiça social que ocorre em MT,  o governador Mauro Mendes desvia a atenção para desses problemas e prefere focar no “meliante” sugerindo que este seria o principal obstaculo para que novos investimentos chegam no estado. Resta saber se a população mato-grossense acredita nessa narrativa ou se reconhece os impactos negativos que o modelo atual de agronegócio impõe à sociedade e ao meio ambiente.

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