Medida aprovada discretamente na reforma administrativa beneficia cargos de confiança, enquanto gestão prometia corte de gastos

Prefeito de Cuiabá sanciona aumento para comissionados após declarar calamidade financeira

publicidade

 

 

Menos de dois meses após decretar calamidade financeira no município, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), sancionou uma mudança legislativa que permite o aumento da verba indenizatória paga a cargos comissionados da administração municipal. A alteração, incorporada sem alarde à chamada reforma administrativa, autoriza a aplicação do Reajuste Geral Anual (RGA) sobre o benefício, que tradicionalmente não sofria correções com base em índices oficiais.

Com o reajuste de 4%, secretários municipais, por exemplo, passarão a receber R12.852,32 mensais em verba indenizatória, O impacto financeiro deve começar em maio, quando o RGA entra em vigor.

A medida contrasta com o discurso de austeridade adotado pela gestão após a publicação do decreto de calamidade, em 3 de janeiro. Na ocasião, Brunini alegou falta de recursos para honrar dívidas com fornecedores e prometeu um plano de contenção para economizar R$ 100 milhões em 100 dias. No entanto, em 21 de fevereiro, o prefeito sancionou a reforma que assegura o aumento aos comissionados.

Mudança na lei beneficia aliados políticos

O novo dispositivo acrescenta um parágrafo à Lei Complementar 503/2021, garantindo reajuste anual aos comissionados “sem distinção de índices” – uma prática considerada atípica no serviço público. A medida favorece principalmente cargos de confiança, como secretários e outros indicados políticos da base de Brunini.

Leia Também:  Prefeitura endurece medidas contra donos de terrenos baldios em Cuiabá

Na mesma reforma, a gestão atualizou a tabela de subsídios, mantendo, na prática, os salários pagos na administração anterior, apesar de alterações nos valores legais. Questionada, a Prefeitura não explicou os critérios para aplicar o RGA sobre a verba indenizatória nem detalhou os efeitos da revisão salarial. A assessoria limitou-se a afirmar que as mudanças foram “simbólicas”, sem impacto real nos pagamentos.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide