Um dia para nunca ser esquecido. É assim que Carol Meireles, acadêmica de Saúde Coletiva da UFMT, presidente de associações em saúde e conselheira municipal de saúde, descreve o drama vivido por seu filho, Vicente, no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). O adolescente, que enfrenta crises frequentes de epilepsia, passou mais de 24 horas sem atendimento neurológico adequado devido à falta de um tomógrafo funcionando no hospital – equipamento essencial para diagnósticos de emergência, como AVC, tromboses e traumas graves.
Crise após crise, negligência após negligência
No último sábado (12/07), Vicente deu entrada na UPA Leblon com fortes dores de cabeça e vômitos. Foi medicado com Tramal e liberado, mesmo com sintomas persistentes. Durante a semana, as crises continuaram, controladas em casa, até que na quarta-feira (17/07), após uma crise de ausência mais grave, ele voltou a gritar de dor. Levado ao HMC, foi internado, mas, mesmo sob medicação, não parou de convulsionar.
Os médicos suspeitaram de trombose arterial ou venosa e solicitaram uma angiotomografia de urgência. No entanto, o exame não foi realizado porque o tomógrafo do HMC estava quebrado – sem previsão de conserto.
“Meu filho não pode esperar o conserto de um equipamento vital”
Carol, que é defensora do SUS e conhece as fragilidades da rede pública, relata indignada:
“Mesmo após tomar todo tipo de medicação, Vicente continuou convulsionando. Ficou sem exame e sem avaliação neurológica do dia 17 até o dia 18, negligenciado por uma gestão que não consegue garantir o básico: um tomógrafo funcionando em um hospital de referência.”
Ela questiona: “Onde está a mudança proposta, senhor prefeito? Quantas vidas estão sendo perdidas ou ganhando sequelas evitáveis por falta de equipamento básico?”. Questiona Carol, se referindo as promessas de campanha do atual prefeito de Cuiabá Abílio Brunini
Falta de estrutura põe vidas em risco
O HMC é referência para emergências neurológicas, traumatismos e atendimentos de alta complexidade. A ausência de um tomógrafo operante obriga pacientes a esperarem dias por exames ou serem transferidos para outras unidades, o que pode ser fatal em casos como AVC e hemorragias.
Carol reforça: “Não é só sobre o Vicente. São vidas sendo perdidas por descaso. Cuiabá merece respeito. Exijo resposta e posicionamento público sobre essa situação.”
Resposta da gestão municipal
Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde não se pronunciou sobre o caso ou sobre quando o tomógrafo será reparado. Enquanto isso, pacientes seguem em risco.
#PorVicenteEPorTodos
O relato de Carol viralizou nas redes, com centenas de compartilhamentos e relatos similares de descaso na saúde pública de Cuiabá.




















