Polícia Civil desmantela rede de laboratórios que falsificava resultados de exames em MT
A Polícia Civil de Mato Grosso desvendou um esquema de fraude em exames laboratoriais envolvendo a rede BioSeg, alvo da Operação Contraprova, deflagrada nesta sexta-feira (15). Investigações apontam que os laboratórios descartavam as amostras biológicas coletadas de pacientes sem realizar qualquer análise, enquanto emitiam laudos falsos elaborados pelo sócio responsável técnico, um biomédico.
A rede, que realizava coletas de materiais para exames de COVID-19, toxicologia, sífilis, HIV, hepatites e até pacientes em home care, não processava os testes internamente nem enviava as amostras para outros laboratórios, como alegavam. Em vez disso, os materiais eram jogados fora, e os resultados eram inventados.
Fraude atingia órgãos públicos e convênios
O esquema tinha amplo alcance: além de pacientes particulares, a BioSeg prestava serviços para Câmara Municipal, Prefeitura de Cuiabá, clínicas privadas, nutricionistas e um plano de saúde. A suspeita é que milhares de pessoas tenham recebido diagnósticos incorretos, colocando vidas em risco.
O nome da operação, “Contraprova”, simboliza a ação da polícia como a “verdadeira contraprova”que desmascarou os laudos fraudulentos – uma referência ao exame de confirmação que valida resultados.

Denúncia e prisões
As investigações começaram em abril de 2025, após uma denúncia à Vigilância Sanitária de Cuiabá. Na época, uma unidade foi interditada, e o biomédico responsável foi preso em flagrante.
Nesta sexta-feira, a Polícia Civil cumpriu:
-
Prisão preventiva do sócio responsável técnico;
-
Busca e apreensão nas casas dos investigados e nas três unidades da BioSeg (Cuiabá, Sinop e Sorriso);
-
Interdição judicial dos laboratórios;
-
Suspensão do registro profissional do biomédico preso;
-
Impedimento de contratos com órgãos públicos.
Crimes e penas
Ao fim do inquérito, os envolvidos responderão por estelionato, falsificação de documentos, peculato e associação criminosa, com penas que podem chegar a 25 anos de prisão.
A polícia alerta que pacientes que realizaram exames na BioSeg devem refazer os testes em laboratórios confiáveis. A investigação continua para apurar a extensão dos danos causados pela fraude.





















