Em pronunciamentos anteriores, Michelly havia afirmado que o Ministério da Saúde não autorizava a abertura ou reabertura de novas policlínicas. A fala deu a entender à população cuiabana que, por esse motivo, unidades como as policlínicas do Coxipó e do Planalto não poderiam voltar a funcionar, justificando, assim, a demora da gestão municipal em concluir as reformas iniciadas em 2023, durante a intervenção do Estado na saúde de Cuiabá.
Diante da declaração, Dídimo buscou esclarecimentos diretamente junto ao Ministério da Saúde e protocolou cinco questionamentos formais. As respostas enviadas pela pasta desmentiram a versão da vereadora. De posse da documentação, o parlamentar apresentou os ofícios em plenário nesta terça-feira, o que deixou Michelly visivelmente irritada.
Ao ocupar o tempo de fala do colega Kassio Coelho, a vereadora tentou se justificar, afirmando: “Não foi isso que eu disse. Eu falei que não poderia ser aberto como policlínica, mas sim como Centro de Especialidades em Serviços”.
Nos bastidores, Michelly vem sendo apontada como a “vereadora do chilique”, após episódios de embates acalorados. Em ocasião anterior, por exemplo, ela abandonou o plenário em protesto durante a votação que aprovou a fusão das secretarias de Esporte e Cultura com a Educação — medida que, segundo parlamentares, prejudicaria diretamente o esposo da vereadora, o atual secretário de Esporte, Jefferson Neves. Há informações de que Michelly teria atuado politicamente para reverter a decisão e garantir a manutenção de poderes já estabelecidos ao cônjuge.
Outro episódio de desgaste político foi o seu posicionamento em relação ao Projeto de Lei do vereador Dídimo Vovô, que garantia a realização de ressonância magnética para mulheres com câncer de mama. Inicialmente favorável, Michelly mudou o voto após orientação do prefeito Abílio Brunini, que pediu à base a manutenção do veto do Executivo. A reviravolta repercutiu negativamente nas redes sociais e na imprensa, que a classificaram como incoerente em seu discurso de defesa da causa feminina.
Na mesma sessão desta terça-feira, a vereadora Maria Avallone elogiou publicamente a iniciativa de Dídimo e destacou, em tribuna, que projetos que beneficiam a população devem ser apoiados independentemente de bandeiras partidárias: “Se o projeto é bom e beneficia as mulheres, não há o que se discutir, e sim aplaudir”, afirmou.




















