O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), voltou a causar polêmica ao publicar um vídeo nas redes sociais em que orienta empresários a demitir funcionários que tenham comemorado a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração, feita em um tom forçado, infantil e com tentativa caricata de engrossar a voz, caiu no ridículo e se tornou motivo de deboche, mas também de preocupação pelo conteúdo autoritário da mensagem.
No vídeo, que rapidamente viralizou, Brunini não recomenda uma demissão imediata, que poderia ser caracterizada como perseguição ideológica. Em vez disso, aconselha uma estratégia de espera: “esperar o momento certo, na hora que ela tropeçar, manda embora”. A fala foi encenada com uma postura rígida e uma expressão facial severa, numa tentativa de transmitir firmeza que, no entanto, foi percebida pelo público como arrogância e pura teatralidade.
A performance foi amplamente ridicularizada nas redes sociais. Usuários criaram memes, montagens e vídeos de resposta, destacando o tom forçado e a linguagem corporal exagerada do prefeito, que mais parecia estar interpretando um personagem autoritário de série de streaming do que proferindo uma orientação de gestão pública.
Além do Deboche: Discurso Autoritário e Risco Institucional
Por trás do espetáculo patético, no entanto, a declaração de Brunini revela um lado profundamente autoritário e imaturo. Ao invés de pregar a pacificação e o respeito à diversidade de opiniões inerentes a um Estado Democrático de Direito, o prefeito eleito estimula o ódio e o medo nos ambientes de trabalho. Seu discurso beira a incitação ao assédio moral e representa uma clara afronta à liberdade de expressão dos cidadãos.
Especialistas em Direito do Trabalho alertam que seguir o conselho do prefeito pode levar empresas a sérios riscos jurídicos, configurando demissão por justa causa fraudulenta, além de processos por danos morais.
O episódio não é isolado. Ele reforça um padrão de comportamento já associado a Brunini: provocador, teatral e constantemente confundindo a gestão pública com militância ideológica. A postura, marcada pela imaturidade e pelo desejo de gerar engajamento a qualquer custo, o distancia cada vez mais da serenidade e da postura institucional que o cargo de prefeito de uma capital exige. A política, nas mãos de Brunini, parece se resumir a um espetáculo triste, onde o ridículo e o autoritarismo se misturam, com o povo e a democracia saindo como os verdadeiros prejudicados.




















