A Justiça de Cuiabá arquivou nesta terça-feira (5) a queixa-crime por difamação movida pela ex-primeira-dama Virgínia Mendes contra os jornalistas Alexandre Aprá e Enock Cavalcanti. O juiz Moacir Rogério Torquato, da 10ª Vara Criminal de Cuiabá, julgou pela extinção da punibilidade dos profissionais de imprensa. A defesa dos jornalistas foi conduzida pelo escritório Flora, Matheus e Mangabeira.
A ação tinha origem em uma reportagem que deu repercussão ao presente de um anel dado pelo empresário Ziad Fares, dono da ZF Comunicação, à então primeira-dama. Em 2019, Virgínia Mendes havia publicado em seu Instagram uma foto do anel com os dizeres “Muito obrigada! @Ziadf.” À época, a ZF Comunicação já figurava entre as agências contratadas pelo governo do Estado.
O caso ganhou contornos mais graves quando a ação movida por Virgínia Mendes se inseriu em um contexto mais amplo de tensão entre o jornalista Alexandre Aprá e o entorno do governo de Mato Grosso. Desde 2013, o portal Isso É Notícia, fundado por Aprá, vinha publicando reportagens sobre gastos do Executivo mato-grossense com publicidade, citando suspeitas de irregularidades que envolveriam o governador Mauro Mendes, a primeira-dama e a empresa de Ziad Fares, a ZF Comunicação — uma das agências contratadas pelo Estado com dispensa de licitação.
Dois dias após a publicação da reportagem sobre o anel, Virgínia Mendes registrou queixa na Delegacia da Mulher contra Aprá por difamação, calúnia e “fake news”. A defesa da família sempre sustentou que o anel com pedra de zircônia, avaliado em R$ 1.200, foi um presente de aniversário dado por um amigo de 20 anos, sem qualquer conotação irregular.
O caso do anel, no entanto, era apenas um dos capítulos de uma disputa judicial que se arrastou por anos. Aprá chegou a ser indiciado em inquérito instaurado a partir da “Operação Fake News” deflagrada pela Polícia Civil, o que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificou como “nova forma de perseguição” contra o profissional.
A decisão desta terça-feira representa uma virada favorável aos jornalistas em um capítulo que mobilizou entidades de defesa da liberdade de imprensa. A FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso chegaram a exigir celeridade nas investigações sobre as ameaças sofridas por Aprá, afirmando que “a liberdade de imprensa está sendo atacada e o direito da sociedade à informação está sendo desrespeitado”.
Com o arquivamento determinado pelo juiz Moacir Rogério Torquato, encerra-se mais um processo originado do episódio do anel — que, apesar de aparentemente banal, tornou-se símbolo de um longo embate entre jornalismo investigativo e poder político no estado de Mato Grosso.
com informações blogdopopo















