Processo seletivo publicado em edição extra do Diário Oficial previa prazo inicial de apenas 16 horas para inscrição; contratação de 54 servidores está prevista para 17 dias após abertura do certame

MTI: Edital relâmpago e critérios sob medida levantam suspeita de direcionamento no governo Pivetta

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O governo do estado do Mato Grosso, sob o comando do governador Pivetta, atropelou princípios elementares da administração pública ao publicar um edital de contratação imediata na MTI — Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação — com fortes indícios de direcionamento. O documento foi divulgado em uma edição extraordinária do Diário Oficial que circulou apenas nesta segunda-feira (15), e o prazo original concedido para inscrições era de apenas 16 horas — um intervalo inédito pela sua inadequação.

Após a repercussão negativa, o prazo foi corrigido às pressas para as 23h59 de terça-feira (16). Ainda assim, mesmo com o ajuste, especialistas em licitações públicas e tecnologia consideram o intervalo irrisório diante da complexidade técnica exigida pela área. A urgência, porém, não para por aí: o edital prevê a contratação imediata de 54 servidores já para o dia 3 de julho — apenas 17 dias após a abertura do certame, um cronograma que desafia qualquer lógica de avaliação criteriosa de candidatos.

A pressa sem justificativa alimenta uma suspeita grave: a de que o processo seletivo funcione apenas como uma formalidade para regularizar a situação de apadrinhados políticos que já ocupam cargos dentro da estatal. Em linguagem popular, seria um processo pró-forma — feito para “carimbar” uma realidade já existente nos bastidores do poder.

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O cronograma asfixiante, no entanto, não é o único elemento que chama atenção. O edital da MTI estabelece critérios de experiência profissional em tecnologia da informação de caráter extremamente específico e restritivo, desenhados de forma a dificultar ou inviabilizar a participação de candidatos externos ao círculo de influência do governo. A combinação de prazos inviáveis com exigências cirúrgicas configura, segundo juristas consultados pela reportagem, um padrão clássico de direcionamento em licitações públicas.

Diante do tamanho da irregularidade em potencial — em um setor estratégico e que movimenta recursos públicos significativos —, o silêncio das instituições de controle e fiscalização causa profunda estranheza. O Ministério Público Estadual (MPE), o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Tribunal de Justiça (TJ) e a própria Assembleia Legislativa (AL) ainda não se manifestaram sobre o caso até o fechamento desta reportagem.

A omissão abre caminho para que o governo Pivetta consolide o que já é apontado por especialistas como um jogo de cartas marcadas com o dinheiro público — operado à luz do dia, sob as barbas das instituições que têm o dever constitucional de zelar pelo interesse coletivo.

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Edital de Processo Seletivo Simplificado da MTI Nº 001/2026

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