A corrida pelo comando do Palácio Paiaguás em Mato Grosso ganhou um contorno de “todos contra um” nos bastidores políticos, levantando uma forte suspeita entre analistas e corredores do poder: afinal, esse jogo das três candidaturas é combinado? Embora ninguém publicamente uma aliança formal, os grupos do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos), de Rafael Milas (Missão) e da médica Natasha Slhessarenko (PSD) alinharam suas baterias com um alvo em comum: minar a pré-candidatura de Wellington Fagundes (PL) ao governo do Estado. A estratégia consiste em um cerco tático que ataca o senador por diferentes flancos, tentando frear seu avanço tanto no eleitorado conservador quanto nas bases municipalistas do interior.
No entanto, o clima de “consórcio planejado” ganhou um componente explosivo que agita os bastidores em Cuiabá: o irmão de Natasha é o CEO do grupo empresarial de Otaviano Pivetta. Essa forte ligação familiar acendeu o sinal de alerta e alimentou rumores de que a movimentação pode ser, sim, uma jogada ensaiada por trás das cortinas. A desconfiança que corre no meio político é de que a médica estaria, supostamente, utilizando a estrutura do PSD e o cacife do ministro Carlos Fávaro não para viabilizar uma terceira via real, mas como uma peça de distração para favorecer indiretamente o chefe de seu irmão, dividindo as forças de oposição.
Analistas apontam que a saturação do discurso contra Fagundes, agora misturada a essas suspeitas de triangulação familiar e teatro político, pode reconfigurar totalmente o cenário eleitoral até as convenções. Se por um lado o pré-candidato do PL precisa resistir ao bombardeio coordenado, por outro, Natasha terá o desafio duplo de blindar sua narrativa e provar que seu projeto é independente, afastando a pecha de que está atuando como linha de apoio de Pivetta. O xadrez político mato-grossense agora se resume a um teste de resistência e de retórica, onde os laços societários e as teorias de acordos secretos prometem pesar tanto quanto o tempo de TV e o apoio das prefeituras.

















