A Polícia Militar de Mato Grosso tem hoje menos de mil soldados na ativa, apesar de contar formalmente com um efetivo total superior a 7.000 policiais. O dado consta no lotacionograma da corporação referente ao primeiro semestre de 2026, que aponta apenas 943 militares no posto de soldado, a base da hierarquia responsável pelo policiamento ostensivo. Ao mesmo tempo, cerca de 1.100 aprovados em concurso público realizado em 2022 seguem aguardando nomeação.
Do total de 1.800 candidatos aprovados no certame, aproximadamente 700 foram convocados até agora. O concurso teve o prazo prorrogado em 2024 e vence definitivamente em 2 de dezembro de 2026. Após essa data, novas convocações ficam legalmente impedidas.
Segundo Marco Mourão, integrante da Associação dos Aprovados no Concurso da Polícia Militar de Mato Grosso, há preocupação com a possibilidade de o governo chamar apenas parte dos remanescentes. “Tem sido ventilada a convocação de cerca de 300 policiais e, depois, a abertura de um novo concurso. Isso não faz sentido. Você descarta cerca de 800 aprovados e gera um novo gasto para o Estado”, afirma.
Embora o número global de policiais possa parecer elevado a um observador leigo, a distribuição dos cargos reduz o impacto do efetivo nas ruas. Parte significativa dos soldados atua em funções administrativas ou cedida a outros órgãos do Estado, como Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas, Ministério Público e estruturas de segurança institucional.
“Se você fizer um estudo técnico, dificilmente encontra 800 policiais militares atuando diretamente no policiamento ostensivo”, afirma o representante dos aprovados. Para ele, a escassez de soldados contribui para o avanço de crimes como furtos, roubos, violência sexual e feminicídios. “Depois se pergunta por que a criminalidade está desse jeito”, diz.
A associação defende a convocação integral dos aprovados ainda dentro da validade do concurso e argumenta que a medida reforçaria o policiamento e evitaria novos gastos com seleção pública.














