Requerimento no Senado apontava que o ex-governador poderia contribuir para esclarecer denúncias sobre fraudes em empréstimos consignados a servidores e operações financeiras investigadas no âmbito do Banco Master em Mato Grosso.

BANCO MASTER: Após movimentação de governador, convocação para ouvir Pedro Taques na CPI do Crime Organizado é retirada da pauta

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O pedido para que o advogado, ex-senador e ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques prestasse depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, foi retirado da pauta da comissão nesta quarta-feira (11), após movimentação política do governador Mauro Mendes e da senadora Margareth Buzetti em Brasília.

A retirada do item impediu que os integrantes da comissão deliberassem sobre o requerimento apresentado pelo senador Alessandro Vieira, que propunha ouvir Taques sobre denúncias relacionadas ao sistema de crédito consignado envolvendo servidores públicos em Mato Grosso.

O requerimento constava na pauta da 12ª reunião da CPI como Item 7 do Requerimento nº 215/2026. No documento, o parlamentar sustenta que o depoimento poderia auxiliar os trabalhos da comissão na análise das estruturas financeiras investigadas e das operações relacionadas ao sistema de crédito consignado.

O texto menciona que Taques passou a atuar como advogado de entidades sindicais de servidores públicos estaduais em denúncias sobre irregularidades no sistema de crédito consignado operado em Mato Grosso. As reclamações, apresentadas por servidores desde 2023, incluem descontos considerados indevidos em folha de pagamento, ausência de contratos formais e operações estruturadas como cartão de crédito consignado.

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Segundo o requerimento apresentado ao Senado, há registros de “fortes indícios de fraudes” em contratos firmados com a empresa Capital Consig, com prejuízos estimados a cerca de 14 mil servidores públicos estaduais. As operações investigadas teriam contado com intermediação financeira e operacional do conglomerado Banco Master e de empresas e agentes associados.

A atuação das entidades sindicais, representadas pelo escritório AFG & Taques, resultou na suspensão cautelar das cobranças relacionadas a essas operações. A medida interrompeu descontos que somavam cerca de R$ 14 milhões por mês, permanecendo suspensos por aproximadamente dez meses, enquanto as denúncias eram apuradas.

Foi nesse contexto que o caso passou a chamar a atenção da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado instalada no Senado Federal. O depoimento de Taques poderia contribuir para detalhar à comissão o funcionamento das estruturas financeiras envolvidas nessas operações e esclarecer de que forma os contratos foram estruturados, além de indicar eventuais conexões com instituições e agentes que atuam no sistema de crédito consignado.

Com a retirada do item da pauta, a comissão deixou de analisar o pedido de convocação e, neste momento, também deixou de ouvir um dos advogados que atuam diretamente nas denúncias apresentadas por servidores e entidades sindicais sobre o caso, um depoimento que poderia contribuir para ampliar o alcance das investigações e dar maior tração à apuração das irregularidades denunciadas pelos servidores.

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Para Taques, a decisão impede que a CPI tenha acesso direto às informações reunidas ao longo das denúncias apresentadas por servidores e por órgãos de controle. “O requerimento reconhece que há denúncias graves envolvendo recursos públicos e prejuízos a milhares de servidores. Sempre estive à disposição para prestar esclarecimentos e apresentar documentos. A apuração de possíveis irregularidades não pode ser condicionada a calendário eleitoral”, afirmou.

 

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