Para o portal de notícias Metrópoles, Botelho diz que não é dele as emendas de R$ 8 milhões destinadas ao evento, mas documentos comprovam que é ao menos R$ 4 milhões utilizados no evento forma destinadas pelo deputado
O deputado estadual e candidato a prefeito de Cuiabá, Eduardo Botelho (UB) mais uma vez mente ao tentar se esquivar de acusações de destinação de emendas parlamentares indevidas. Desta vez, o candidato disse ao portal Metrópoles que ele não é responsável pelas emendas de R$ 8 milhões que foram utilizadas para um ciclo de palestras contra o feminicídio. Todavia, documentos oficiais comprovam que Botelho enviou ao menos R$ 4 milhões para o evento.
O escândalo foi descoberto pela reportagem do portal de notícias Metrópoles que tem alcance nacional. De acordo com a reportagem publicada neste sábado (28), o estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social (Setasc), promoveu um ciclo de palestras sobre feminicídio que custaram R$ 8 milhões para os cofres públicos. O que chamou atenção foi que as palestras eram sempre realizadas de forma simples, porém os valores elencados nos gastos foram exorbitantes, sendo que o evento custou R$ 500 mil por dia.
Aa reportagem apontou que os R$ 8 milhões vieram de emendas destinadas pelo deputado Eduardo Botelho. Ao se defender, Botelho afirma que as emendas são da bancada da Assembleia Legislativa e não individuais.
Acontece que, documentos obtidos por esta equipe de reportagem comprovam que Botelho destinou ao menos R$ 4 milhões para o Instituto Harrison Ribeiro, responsável pela organização e promoção dos eventos. De acordo com a publicação do Diário Oficial de Mato Grosso, apenas no dia 18 de junho deste ano, foram empenhadas seis emendas de Botelho para o instituto, todas nos valores de R$ 500 mil. Outras duas emendas de R$ 500 mil cada uma foram empenhadas e no dia 14 de junho e 19 de junho.
Para se ter uma ideia dos custos elevados gastos em cada dia de evento, a reportagem do portal Metrópoles destaca o aluguel de serviço de drone no valor de R$ 25 mil, todavia, a maioria dos eventos foram realizados em lugares fechados. R$ 27 mil foram gastos em cada dia de transmissão do evento e R$ 9,6 mil por dia foram gastos em fotografia.
Por comparação, o Metrópoles ressalta que o show do cantor João Gomes no aniversário da cidade de São Paulo este ano custou R$ 450 mil. Lembrando que o show tem uma megaestrutura de palco.
Botelho é reincidente
Vale destacar que esta não é a primeira vez que o candidato a prefeito, Eduardo Botelho destina emendas com valores elevados para institutos apontados por uso irregular de verbas públicas. Nesta semana foi descoberto que Botelho destinou mais de meio milhão de reais ao Instituto de Natureza e Turismo (Pronatur), principal alvo de um grande esquema de corrupção no âmbito da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf). Além deste instituto, Botelho também é responsável por destinar quase R$ 4 milhões por meio de emendas para uma associação em nome de Alessandro do Nascimento, apontado como um dos responsáveis pelo esquema criminoso deflagrado na “Operação Suserano”.
De acordo com dados do Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças de Mato Grosso, entre os anos de 2022 e 2024, Eduardo Botelho destinou por meio de emendas parlamentares a quantia de R$ 622.799,22, ao Instituto de Natureza e Turismo (Pronatur), que tem como diretor presidente Wilker Weslley Arruda e Silva. Ao todo foram quatro emendas de Botelho.
Os maiores valores foram destinados por meio de 20 emendas parlamentares entre os anos de 2022 a 2024 para a Associação Atlética e Cultural Nacional, que tem como representante oficial, o empresário Alessandro do Nascimento, dono da Tubarão Esportes. Para esta associação, Eduardo Botelho encaminhou o montante de R$ 3.794.699 (três milhões, setecentos e noventa e quatro mil, seiscentos e noventa e nove reais).
Tanto a Pronatur, quanto Wilker Weslley e Alessandro do Nascimento são apontados de fazerem parte de um esquema de corrupção na Seaf que, somente no ano de 2024, desviou mais de R$ 28 milhões em emendas parlamentares. O esquema foi descoberto por meio da Operação Suserano, deflagrada pela Delegacia de Combate a Corrupção (Deccor) na última terça-feira (24).



















