O governo de Mauro Mendes (União Brasil) tem sido alvo de severas críticas pela condução de diversas áreas da gestão estadual, como saúde, educação, meio ambiente e segurança pública, esta última frequentemente usada como vitrine no Palácio Paiaguás. No entanto, um dos setores mais afetados, segundo denúncias, é a educação, que enfrenta uma série de problemas estruturais e administrativos.
Desde o início do mandato, o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) tem denunciado o que chama de situação vexatória na educação estadual, mas, conforme relato da entidade, o governador sequer ouviu os alertas.
A situação ganhou novos contornos com a decisão de fechar duas escolas estaduais emblemáticas no município de Juara, a cerca de 690 km de Cuiabá. As Escolas Estaduais Iara Maria Minotto Gomes e Luiza Nunes Bezerra, reconhecidas nacionalmente pelas boas gestões e premiadas no programa “Referência Brasil” em 2007 e 2013, respectivamente, receberam ordens de fechamento por parte do governo estadual. A medida, tomada sem diálogo com as comunidades escolares, gerou indignação e instabilidade entre famílias, estudantes e profissionais da educação.
De acordo com o governo, o fechamento faz parte de um processo de “redimensionamento escolar”. No entanto, a comunidade afetada critica a falta de transparência e diálogo, além do impacto negativo causado pela mudança repentina. Professores e funcionários, que já estavam alocados e atribuídos às instituições, agora enfrentam incertezas, sendo classificados como remanescentes.
A presidente do Sintep-MT, professora Tatiane Vasselli, destacou que as decisões unilaterais do governo reforçam a sensação de desvalorização dos trabalhadores da educação. Para ela, a ausência de clareza e planejamento agrava ainda mais os desafios enfrentados pelo setor, comprometendo a qualidade do ensino e a estabilidade do sistema educacional em Mato Grosso.
Outro ponto que gera insatisfação é a desorganização administrativa refletida na oscilação entre decisões de fechamento e municipalização das escolas, sem qualquer consulta prévia. A falta de diálogo e planejamento participativo com os gestores escolares, sindicatos e a comunidade tem gerado tensões sociais e educacionais, demandando uma resposta urgente dos gestores estaduais.
A reportagem tentou, por diversas vezes, contato com a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) para obter explicações sobre as medidas adotadas, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestação da pasta.
A crise na educação em Juara é um exemplo claro da necessidade de priorizar a transparência, o diálogo e o respeito aos direitos de profissionais e estudantes. Sem isso, o desenvolvimento das comunidades locais e a garantia de uma educação pública de qualidade continuam ameaçados.





















