Lotação nas UPAs de Cuiabá: Prefeito acusa cidadãos de buscarem atestados sem necessidade e levanta dúvidas sobre conduta médica

VÍDEO: Prefeito de Cuiabá culpa população por lotação em UPAs: ‘Buscam atestados, não atendimento’

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Em uma declaração gravada em vídeo, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, atribuiu o excesso de lotação nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital às segundas-feiras a um suposto abuso por parte de parte da população. Segundo ele, muitos cidadãos procuram os serviços não por real necessidade de saúde, mas com o único objetivo de obter atestados médicos — que seriam usados, de acordo com o gestor, para justificar faltas no trabalho ou até mesmo “ilegalidades funcionais“.

A fala, no entanto, abre uma série de questionamentos sobre a gestão da saúde pública na cidade. Se a afirmação do prefeito for verdadeira, estaria ele admitindo que profissionais da rede pública emitem atestados sem comprovação clínica? Haveria, portanto, conivência de médicos com possíveis fraudes? E, principalmente: que provas sustentam essa acusação?

A insinuação atinge diretamente a reputação dos servidores da saúde, colocando em xeque sua ética profissional e compromisso com o serviço público. Se o problema existe, por que a prefeitura — responsável pela gestão dessas unidades — não agiu até agora? Há investigações em andamento? Denúncias formalizadas? Ou seria a declaração de Brunini apenas uma tentativa de transferir a responsabilidade pela superlotação, agora que ele não pode mais fazer críticas como antes, já que é o próprio administrador da cidade?

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Em vez de apresentar soluções técnicas ou medidas concretas para melhorar o fluxo de atendimento, o prefeito optou por um discurso acusatório. Se a situação é de fato como ele descreve, onde estão os protocolos de controle, as sindicâncias e a fiscalização que cabem à sua gestão? A falta de transparência e a ausência de ações efetivas deixam a população com mais perguntas do que respostas — e as UPAs, cada vez mais cheias.

 

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