Enquanto elite do agro se diverte em parque de luxo, povo de Cuiabá sofre com transporte precário

Roda-gigante dos ricos, ônibus lotados para o povo: o apartheid social de Cuiabá

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Enquanto os herdeiros dos bilionários da soja aceleram seus karts em autódromos privados, a população trabalhadora de Cuiabá enfrenta ônibus superlotados, sem ar-condicionado e com tarifas cada vez mais caras. A desigualdade, escancarada no dia a dia da capital, ganha um novo símbolo: o Parque Novo Mato Grosso, um complexo de lazer erguido com dinheiro público, mas destinado ao entretenimento de uma minoria privilegiada.

No coração do empreendimento, a roda-gigante mais alta da América Latina, com 108 metros de altura, se tornará um brinquedo de luxo em um espaço que, na prática, funciona como um condomínio fechado para a elite agrária. Enquanto isso, o cuiabano comum sequer terá condições de pagar o ingresso para conhecer o local — mesmo sendo seu dinheiro que bancou a obra.

O VLT abandonado e o transporte que nunca virou realidade

O contraste é ainda mais cruel quando se lembra do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), projeto abandonado pelo governador Mauro Mendes (União Brasil) mesmo com 70% das obras concluídas e os vagões já comprados. O sistema prometia transporte moderno, sustentável e acessível, aliviando o sofrimento de milhares de trabalhadores que enfrentam congestionamentos e ônibus precários todos os dias.

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Mas, em vez de concluir o projeto, o governo estadual vendeu os vagões para a Bahia, enterrando a esperança de mobilidade digna para Cuiabá. As imagens dos trens sendo levados para outro estado ainda doem na memória de quem dependia dessa solução.

A Casa Grande e a Senzala Moderna

O Parque Novo Mato Grosso se transformou na “Casa Grande” do século XXI, um espaço de ostentação erguido sobre o suor do contribuinte, enquanto a maioria da população segue confinada na “senzala” do transporte público sucateado. Enquanto os barões do agro usufruem de isenções fiscais e acumulam fortunas, o povo cuiabano paga a conta sem ter acesso a lazer digno, parques públicos ou mobilidade urbana decente.

A roda-gigante, visível de vários pontos da cidade, será um monumento à desigualdade — um lembrete diário de que, em Mato Grosso, o progresso só chega para alguns. Enquanto os filhos da elite se divertem em brinquedos de luxo, o trabalhador segue amargando o descaso de um governo que escolhe servir aos ricos e esquecer os pobres.

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