A medida do prefeito, ao mesmo tempo que condena publicamente a celebração da violência, levanta questionamentos sobre a limitação da liberdade de expressão de servidores em suas redes pessoais

Abílio ameaça exonerar servidores que “comemorarem” morte de ativista de extrema-direita americano

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Em uma publicação nas redes sociais na noite de sexta-feira (12), o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), emitiu um decreto virtual determinando que servidores de cargos comissionados que celebrarem a morte do ativista de extrema-direita norte-americano Charlie Kirk serão exonerados sumariamente.

Kirk, de 31 anos, foi morto com um tiro no pescoço no último dia 10, dentro de um auditório universitário no estado de Utah, nos Estados Unidos.

“O servidor em cargo comissionado (de livre nomeação, cargo de confiança) que comemorar a morte de Charlie Kirk, que publicar em redes sociais ou em Whatsapp, mensagens em desrespeito a sua memória, será exonerado do cargo de confiança. Pois não coaduna com os nossos valores e nem com os valores daqueles que nos elegeram”, escreveu Brunini.

O prefeito, que se autodeclara de direita, complementou afirmando que “não celebra a morte de ninguém” e defendeu que os servidores nomeados por indicação devem “servir ao município em confiança com os valores da gestão”.

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A posição de Brunini alinha-se com a de outras lideranças conservadoras de Mato Grosso. Durante a semana, deputados estaduais como Coronel Assis, José Medeiros e Coronel Fernanda usaram suas plataformas online para se manifestar sobre o crime, associando a morte de Kirk a uma suposta “intolerância” proveniente de discursos de esquerda.

Quem era Charlie Kirk

A vítima, Charlie Kirk, não era uma figura comum. Ele era um dos nomes mais radicais e influentes do ativismo ultraconservador nos EUA, com cerca de 7,5 milhões de seguidores no TikTok. Seus discursos eram marcados pela defesa irrestrita do armamento civil e por declarações amplamente classificadas como discurso de ódio.

Entre as polêmicas associadas a seu nome, Kirk defendia que a população negra estava “melhor nos tempos da escravidão”, classificava a empatia como “coisa de nova era” e propagava uma série de teorias conspiratórias e afirmações consideradas absurdas e profundamente ofensivas por críticos e entidades de direitos humanos.

A medida do prefeito, ao mesmo tempo que condena publicamente a celebração da violência, levanta questionamentos sobre a limitação da liberdade de expressão de servidores em suas redes pessoais e o alinhamento político como condição para a manutenção de um cargo público de confiança.

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