Em menos de quatro meses à frente da Prefeitura de Cuiabá, o prefeito Abílio Brunini (PL) já deixou claro que o discurso de rompimento com a “velha política” foi substituído por ações que contradizem suas promessas de campanha. Eleito com a proposta de renovação, Brunini agora recorre a práticas tradicionais, como a troca de cargos por apoio político e a acomodação de aliados em posições estratégicas.
Um dos exemplos mais recentes é a nomeação do ex-vereador Wellaton Mota para a presidência da Limpurb, autarquia responsável pela limpeza urbana. A escolha, porém, ganha contornos ainda mais questionáveis quando somada à nomeação anterior de Michelle Dreher, esposa de Wellaton, para comandar a Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária.
A dupla de indicações revela uma estratégia de distribuição de cargos que contrasta com o discurso de combate ao fisiologismo, marca da campanha de Brunini. O mesmo político que criticou as alianças espúrias e prometeu uma gestão transparente agora divide o poder com figuras que, em tese, representavam o modelo que ele dizia querer superar.
A situação tem gerado descontentamento entre eleitores que acreditaram na proposta de renovação. Ao ceder a pressões e acomodar aliados em postos-chave, Brunini não apenas dilui sua identidade política, mas também alimenta a percepção de que a “nova política” prometida não passou de um slogan eleitoral.
Enquanto isso, os contribuintes arcam com os salários de nomes indicados mais por conveniência política do que por mérito técnico. O que se vê, na prática, é a velha política sendo reempacotada sob novas justificativas – e a promessa de mudança ficando cada vez mais distante.


















