A CPI dos Débitos Previdenciários da Câmara Municipal de Cuiabá passou por um constrangimento público na sessão da última sexta-feira (21), quando a leitura do relatório final precisou ser corrigida após incluir indevidamente entre os indiciados um ex-secretário falecido. A versão lida pela relatora, vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade), acusava o ex-secretário de Fazenda Antonio Roberto Possas de Carvalho, que morreu de câncer no pulmão em setembro, além do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) e ex-gestores.
No entanto, após a sessão e a forte reação de Pinheiro, o relatório disponibilizado à imprensa foi diferente – e suprimiu o nome de Possas. O documento, de mais de 500 páginas, mantém as acusações de apropriação indébita previdenciária e improbidade administrativa contra o ex-prefeito e os ex-secretários de Saúde, David Alessandro Teixeira, e de Educação, Edilene de Souza Machado.
A relatora justificou a exclusão “tendo em vista seu falecimento este ano”. O trecho lido por ela durante a sessão, no entanto, era claro: “Todos os indiciados tinham conhecimento dos atrasos e não adotaram nenhuma medida a fim de estagnar os débitos”. A mudança no documento final gerou questionamentos sobre a condução dos trabalhos.
Reação do ex-prefeito
Antes da correção, Emanuel Pinheiro usou as redes sociais para desabafar. Em tom de indignação, classificou a CPI como “circo” e “fajuta”, e criticou a inclusão do ex-secretário falecido como uma tentativa de atingi-lo.
“Fico observando até que ponto vai a covardia e a falta de escrúpulo. Quando a gente pensa que já viu de tudo, vem mais essa. CPI não indicia ninguém. Não tô nem aí pra esse circo. Agora colocar o nome de quem já morreu para fazer trampolim para tentar me atingir já é demais”, escreveu.
O ex-prefeito lembrou que o próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE) já se adequou em virtude do falecimento do secretário. “Agora mais essa CPI fajuta avança da forma mais canalha possível”, completou.
Suposto áudio é citado, mas não divulgado
Durante a sessão, o presidente da CPI, vereador Dilemario Alencar (União Brasil), fez um comentário que aumentou a polêmica. Ele afirmou que anexou como prova no relatório um suposto áudio do ex-secretário Possas, gravado em dezembro de 2023 – pouco antes do fim do segundo mandato de Emanuel Pinheiro.
“Fico observando até que ponto vai a covardia e a falta de escrúpulo. Quando a gente pensa que já viu de tudo, vem mais essa. CPI não indicia ninguém. Não tô nem aí pra esse circo. Agora colocar o nome de quem já morreu para fazer trampolim para tentar me atingir já é demais”, desabafou Emanuel.
O conteúdo do áudio, no entanto, não foi revelado publicamente, ficando restrito ao documento da comissão.




















