Um dia após ir à Câmara Municipal para negar suspeitas de desvio na Educação, o ex-secretário Amauri Monge ampliou o tom das críticas à gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) e afirmou que os problemas enfrentados pela pasta fazem parte de um cenário mais amplo de desorganização administrativa e crise fiscal na prefeitura de Cuiabá. Em entrevista nesta sexta-feira (29.05), ao Jornal da Cultura, ele disse que a falta de recursos em caixa compromete não apenas a Educação, mas diversas áreas, e citou atrasos a fornecedores, decisões administrativas controversas e saída de secretários como sinais de um “problema sistêmico de gestão”.
Monge voltou a negar a existência de contrato de R$ 80 milhões para compra de material didático e classificou como “levianas” as insinuações feitas pelo prefeito. Segundo ele, o modelo de compras da prefeitura envolve diferentes instâncias, o que afastaria a possibilidade de irregularidades isoladas. O ex-secretário afirmou ainda que, caso haja qualquer problema, ele seria resultado de falhas estruturais na administração. “Não é uma acusação contra uma pessoa, mas contra toda uma engrenagem da prefeitura”, disse.
O ex-secretário disse que a situação não é exclusiva da Educação. Outras pastas também estariam acumulando débitos com fornecedores, o que apontaria uma crise fiscal mais ampla. Como exemplo, citou a decisão de incluir despesas do Aquário Municipal no orçamento da Educação. “Hoje, os 25% da Educação estão pagando até a comida dos peixes, porque não havia recursos no Turismo”, declarou. Para Monge, a medida distorce a finalidade dos investimentos e pressiona ainda mais o orçamento educacional.
Ele também relacionou o cenário à saída de secretários da gestão municipal, sugerindo que dificuldades administrativas e financeiras têm provocado desgaste interno. Aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo, ele afirmou que a condução da gestão tem levado a um ambiente de instabilidade. “Fazer gestão de crise é possível, mas não com esse nível de desorganização e insegurança”, disse.
Apesar das críticas, ele disse não se arrepender de ter assumido a secretaria. Ao comentar a decisão de órgãos de controle de apurar a situação, afirmou que vê as investigações com tranquilidade e defendeu a abertura de uma CPI na Câmara para esclarecer os fatos. “É fundamental que tudo seja apurado. Isso é republicano”, disse.


















