O que para a Prefeitura de Cuiabá foi apresentado como um “ajuste técnico”, para muitos moradores soou como um presente de Natal indigesto. Após a aprovação, na última sessão do ano, do Projeto de Lei Complementar que altera a forma de atualização da base de cálculo do IPTU, a reação dos internautas foi imediata — e nada amistosa.
Nas redes sociais e, principalmente, em grupos de WhatsApp, a indignação ganhou força e endereço certo. Vereadores que votaram a favor da proposta e o líder do prefeito Abilio Brunini (PL) na Câmara, Dilemário Alencar. Em uma das mensagens que circularam amplamente, um internauta ironizou: “Esses são nossos vereadores e vereadoras… inimigos dos trabalhadores da nossa capital mato-grossense. São esses doze vereadores. Parabéns ao prefeito e aos parlamentares, um belo presente de Natal”.

Em outro grupo, o tom foi ainda mais ácido, com críticas diretas ao líder do Executivo no Legislativo, acompanhadas de xingamentos e convocações para “expor” os responsáveis pela votação. “Ver Dilemário, vc é um vaga… vamos espalhar as caras desse prefeito e desses vereadores vaga…. “, publicou. O clima virtual refletiu o descontentamento que, para muitos contribuintes, resume-se a uma conta mais alta chegando junto com as festividades de fim de ano.

A Prefeitura de Cuiabá sustenta que a medida apenas promove ajustes técnicos e moderniza a legislação do IPTU e do ITBI. No entanto, o discurso oficial não foi suficiente para conter a reação popular — nem mesmo dentro do plenário. A proposta enfrentou críticas de vereadores da oposição e até de aliados do Executivo.
Apesar do barulho nas redes e das divergências internas, o projeto foi aprovado com 17 votos favoráveis e 7 contrários. Fora da Câmara, porém, o placar parece outro: nas redes sociais, a sensação é de que o aumento do imposto virou símbolo de desconexão entre representantes e representados — e de que o “presente” não agradou quem realmente paga a conta.

















