Operação Gorjeta: Ibrace recebeu R$ 4 milhões em emendas de vereadores de Cuiabá entre 2024 e 2025

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ATUALIZAÇÃO 08/02/2026: Esta matéria foi corrigida. Leia a errata aqui. https://novidadesmt.com.br/cuiaba/errata-michele-cruz-silveira-nao-e-investigada-na-operacao-gorjeta/

O Instituto Brasil Central (Ibrace) recebeu R$ 4 milhões em emendas parlamentares nos anos de 2024 e 2025, indicadas por três vereadores em exercício e dois ex-parlamentares de Cuiabá, conforme dados do Portal da Transparência. A informação ganhou relevância após a deflagração da Operação Gorjeta, da Polícia Judiciária Civil, nesta terça-feira (27), que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio dessas emendas.

Entre os valores destinados ao instituto, R$ 1 milhão foi indicado pelo vereador Chico 2000 (sem partido), principal alvo da operação. O montante foi destinado, em 2025, a dois eventos esportivos: R$ 600 mil para a Corrida do Bom Jesus de Cuiabá e R$ 400 mil para a 6ª Corrida do Legislativo. Todos os pagamentos foram realizados pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer.

Além dele, o ex-vereador Luiz Fernando (Republicanos) destinou R$ 350 mil para a 4ª Corrida do Rotary Club. O maior volume de recursos, no entanto, partiu do vereador Cezinha Nascimento (União Brasil), que indicou R$ 1.856.276,00 para dois eventos: R$ 728.138 para a 11ª Corrida e Caminhada Pela Vida e R$ 1,128 milhão para o 1º Pedal Pela Vida.

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O vereador Kassio Coelho (Podemos) destinou R$ 500 mil para a Maratona City Cuiabá. Já o vereador Wilson Kero Kero (PMB) e o ex-vereador Lilo Pinheiro (PDT) indicaram R$ 250 mil para a Corrida Pela Vida.

Com exceção de Chico 2000, os demais parlamentares não são investigados na operação.

Entenda a investigação

A Operação Gorjeta é conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e apura crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado teria se associado para direcionar emendas parlamentares a um instituto e a uma empresa, sendo que parte do recurso retornaria ao vereador responsável pela indicação.

Além de Chico 2000, são alvos da operação: seu chefe de gabinete Rubens Vuolo Júnior; o empresário João Chiroli, proprietário da Chiroli Uniformes; Magali Gauna Felismino Chiroli; Joaci Conceição Silva, assessor do vereador Mário Nadaf; o presidente do Ibrace, Alex Jony Silva; além do próprio instituto, da empresa Chiroli Uniformes e da MT Mensura.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá e incluem 12 mandados de busca e apreensão e 12 autorizações de acesso a dados em dispositivos móveis.

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Medidas cautelares

A Justiça determinou o afastamento de um vereador e a suspensão das funções de dois servidores da Câmara Municipal. Também foram impostas medidas cautelares a seis investigados, como:

  • Proibição de contato entre os investigados e testemunhas;

  • Proibição de acesso à Câmara de Cuiabá e à Secretaria Municipal de Esportes;

  • Proibição de deixar a comarca e entrega de passaportes.

O Judiciário ainda determinou:

  • Bloqueio de R$ 676.042,32 de contas de nove pessoas físicas e jurídicas;

  • Sequestro de veículos, imóveis, embarcação e reboque;

  • Suspensão das atividades do Ibrace;

  • Auditoria da Controladoria-Geral do Município em todos os termos de parceria firmados com o instituto;

  • Proibição de o Município realizar pagamentos ou novas contratações com as empresas investigadas.

O Executivo e o Legislativo de Cuiabá também estão proibidos de nomear ou contratar quaisquer dos investigados enquanto durarem as apurações.

com informações folhamax

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