Enquanto a população de Cuiabá sofre com a escassez de medicamentos essenciais na rede pública, a vereadora Michelly Alencar (União), que antes criticava duramente a falta de insumos na saúde, agora quer destinar R$ 1,2 milhão para a compra de remédios para emagrecimento. A decisão gera revolta em meio ao desabastecimento de itens básicos, como Dipirona, AAS infantil, sulfato ferroso, amoxicilina e medicamentos para hipertensão.
Nas redes sociais, um internauta resume a indignação: “Enquanto isso, não tem Dipirona nos PSF!”. A observação reflete a realidade de unidades de saúde que operam no limite, sem condições de atender demandas simples. Pais de crianças com infecções respiratórias, por exemplo, enfrentam dificuldades para encontrar amoxicilina e azitromicina em suspensão, além de medicamentos para inalação, como Brometo de Ipratrópio (Atrovent) e Clenil A (Beclometasona), usados no tratamento de asma e bronquite.
A situação se agrava com a falta de materiais básicos, como abocath infantil, equipos de dupla via, torneirinhas e luvas de procedimento, prejudicando até mesmo atendimentos de emergência. Na UPA Leblon, a carência é ainda mais crítica: profissionais relatam a ausência de medicamentos urgentes, como Cilostazol, Clonidina, Hidralazina, além de injetáveis como Cefepima e Enoxaparina. A escassez de soro glicosado e antifúngicos, como Fluconazol, também preocupa.
Enquanto a saúde pública caminha para o colapso, a prioridade da vereadora chama a atenção. Em vez de pressionar por soluções para o desabastecimento, Michelly Alencar opta por investir em um remédio de alto custo e questionável necessidade para a maioria da população. A postura contrasta com seu discurso anterior, quando atuava como crítica ferrenha da gestão passada em situações similares. Agora, parece fechar os olhos para a crise que afeta milhares de cuiabanos.


















