Em sua narrativa, o problema estaria no Judiciário e no arcabouço legal brasileiro que, em sua visão, protege bandidos

Contratação polêmica: Como um empreiteiro condenado por uso de mercúrio Ilegal é aceito no Governo de Mauro Mendes

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O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, tem feito reiterados discursos públicos culpando as “leis frouxas” pela suposta impunidade de criminosos, que segundo ele “entram por uma porta e saem pela outra”. Em sua narrativa, o problema estaria no Judiciário e no arcabouço legal brasileiro que, em sua visão, protege bandidos. Porém, o que se constata à luz dos dados públicos é uma contradição preocupante entre o discurso moralizador e a prática administrativa do próprio governo.

Consulta feita ao FIPLAN, sistema de controle financeiro do Estado, revela que a empresa Paiaguás Incorporadora Ltda recebeu, somente no final de 2024, empenhos que somam R$ 12 milhões para a construção de moradias populares em municípios como Comodoro e Várzea Grande. Os pagamentos foram intermediados pela estatal MT Participações e Projetos S.A. (MT-PAR). A construtora pertence ao empresário Edy Veggi Soares, que foi preso na Operação Hermes, deflagrada pela Polícia Federal para combater uma organização criminosa especializada no contrabando de mercúrio — atividade ligada ao garimpo ilegal e à destruição de biomas.

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Embora Edy Veggi tenha deixado a prisão preventiva em 2023 e não figure entre os réus da primeira ação penal, ele não foi absolvido ou inocentado formalmente. Seu nome permanece vinculado à investigação, que ainda tramita na Justiça Federal. A anulação de provas e o enfraquecimento do processo por vícios procedimentais criaram um limbo jurídico: o empresário segue sem condenação, mas também sem ser declarado inocente. Mesmo assim, continua celebrando contratos milionários com o governo de Mauro Mendes.

A situação se agrava diante do fato de que familiares do governador e empresas ligadas a eles também foram alvos da mesma operação, o que deveria, no mínimo, inspirar cautela nas relações contratuais do Executivo estadual com entes ligados a investigados. Em vez disso, o governo parece blindar esse círculo empresarial, enquanto ataca garantias constitucionais como a ampla defesa e o devido processo legal — justamente os instrumentos que permitem que qualquer cidadão, inclusive Edy Veggi, responda em liberdade.

Resta perguntar: as “leis frouxas” que tanto indignam o governador também estão permitindo que empresários investigados por crimes ambientais lucrem com dinheiro público? O povo de Mato Grosso, que paga seus impostos honestamente e espera lisura na gestão, merece uma resposta clara e honesta — e não apenas bravatas em coletivas de imprensa.

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