Com inauguração do Hospital Central à vista, destino da unidade hospitalar ainda não foi definido; dívidas trabalhistas de R$ 40 milhões complicam possível transferência para o município

“O Estado não tem obrigação de pagar dívida trabalhista de ninguém…”: Governo Mauro Mendes silencia sobre futuro da Santa Casa e descarta arcar com dívidas

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Enquanto a inauguração do Hospital Central de Cuiabá se aproxima, o futuro da Santa Casa de Misericórdia do Estado permanece indefinido. O governador Mauro Mendes (União) evitou detalhar os planos para a unidade em entrevista na última quarta-feira (30.04), limitando-se a afirmar que duas alternativas estão sendo analisadas “silenciosamente” e que qualquer decisão só será divulgada após estudos aprofundados.

“A postura do Estado, diante de problemas complexos, é estudar com discrição e anunciar apenas quando houver clareza. Já adiantamos que há duas possibilidades em análise, mas no momento certo serão reveladas”, declarou Mendes.

Uma das propostas em discussão parte do interesse do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (sem partido), que pretende transferir o Hospital São Benedito para o prédio da Santa Casa. No entanto, o plano enfrenta um obstáculo significativo: as dívidas trabalhistas da instituição, que somam cerca de R$ 40 milhões. Para viabilizar a mudança, o prefeito sugeriu que o Estado compre o imóvel e o repasse ao município.

A situação tornou-se ainda mais complicada após decisão do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), que homologou o leilão do prédio para quitar parte das dívidas com ex-funcionários. A medida inviabiliza a estratégia da Prefeitura, que já admitiu não ter condições de arcar com o passivo.

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Questionado sobre a proposta, o governador foi enfático ao descartar que o Estado assuma a dívida: “Não temos obrigação de pagar débitos trabalhistas de terceiros. A Santa Casa era uma instituição privada, e o Estado já cumpre seu papel pagando aluguel e investindo na estrutura”.

Mendes ressaltou que, desde a requisição administrativa em 2019, o governo estadual paga R$ 500 mil mensais pelo imóvel — valor acima do mercado, segundo ele —, além de ter realizado reformas e equipado a unidade. “Garantimos um serviço de qualidade à população, mas as dívidas históricas não são responsabilidade do Estado”, afirmou.

Enquanto isso, a Santa Casa segue em funcionamento com recursos estaduais, apoio eventual do município, da União e da iniciativa privada. Não há previsão para o encerramento das atividades, mas a indefinição sobre seu futuro mantém funcionários e pacientes em suspense.

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